TABELA 5. Temperaturas Adiabáticas de Chama, em ºC
GÁS a 20ºC
|
COMBURENTE a 20ºC
|
Ar (ºC)
|
Oxigênio (ºC)
|
|
Metano
|
1957
|
2810
|
Etano
|
1960
|
-
|
Propano
|
1980
|
2820
|
Butano
|
1970
|
-
|
Hidrogênio
|
2045
|
2660
|
Temperatura Mínima de Auto-Ignição
A temperatura mínima de auto-ignição é uma
temperatura limite, a partir da qual uma mistura de um gás combustível e um
comburente se inflamam espontaneamente, quer dizer, sem a presença de uma chama
piloto ou centelha.
TABELA 6. Temperaturas Mínimas de Auto-Ignição na
Pressão Atmosférica, em ºC
GÁS
|
COMBURENTE
|
Ar (ºC)
|
Oxigênio (ºC)
|
|
Metano
|
580
|
555
|
Etano
|
515
|
-
|
Propano
|
480
|
470
|
Butano
|
420
|
285
|
Monóxido de carbono
|
630
|
-
|
Hidrogênio
|
570
|
560
|
Acetileno
|
305
|
296
|
Essa temperatura é muito importante para o
estabelecimento das condições de proteção contra a falta de chama no interior
de câmaras de combustão. As normas da ABNT – Associação Brasileira de Normas
Técnicas – estabelecem a temperatura de 750ºC nas superfícies internas da
câmara de trabalho como fronteira entre os processos de baixa e alta
temperatura. Nos processos acima de 750ºC, estando garantida a auto-ignição da
mistura ar-gás com alguma margem de segurança, as exigências aos sistemas de
proteção contra falta de chama são menos intensas.
Campo de Inflamabilidade
O campo de inflamabilidade define a faixa de proporções
onde uma mistura gás-comburente se inflamará quando submetida a uma condição de
ignição. O campo de inflamabilidade também é chamado de campo de explosividade.
A ocorrência de uma inflamação ou de uma explosão dependerá do grau de
confinamento da mistura inflamável e sua capacidade de aliviar a expansão dos
gases gerada pela combustão.
A Tabela 7 indica a percentagem do combustível na
mistura, em base volumétrica, estando ambos na temperatura de 20ºC e na pressão
atmosférica.
TABELA 7. Campos de Inflamabilidade
GÁS
|
COMBURENTE
|
Ar
|
Oxigênio
|
Limites >>
|
Inf. (%)
|
Sup. (%)
|
Inf. (%)
|
Sup. (%)
|
Metano
|
5,0
|
15,0
|
5,0
|
60,0
|
Etano
|
3,0
|
12,4
|
3,0
|
66,0
|
Eteno (etileno)
|
2,7
|
36,0
|
2,9
|
80,0
|
Propano
|
2,8
|
9,5
|
2,3
|
45,0
|
Propeno (propileno)
|
2,0
|
11,1
|
2,1
|
52,8
|
Butano
|
1,8
|
8,4
|
1,8
|
40,0
|
Monóxido de carbono
|
12,0
|
75,0
|
-
|
-
|
Hidrogênio
|
4,0
|
75,0
|
4,0
|
94,0
|
Acetileno
|
2,2
|
80 / 85(*)
|
2,8
|
93,0
|
(*)Valores apresentam divergência em diferentes literaturas.
Abaixo do limite inferior de inflamabilidade a
mistura é chamada pobre (em combustível) e não se inflama. Acima do limite
superior de inflamabilidade a mistura é chamada rica e, também, não se inflama.
Velocidades de Chama
A determinação da velocidade de chama de uma
mistura gás-comburente, também chamada de velocidade de ignição, é um processo
experimental e os valores encontrados dependem das condições do teste e dos
métodos de medição.
Portanto, os valores indicados na Tabela 8 podem
apresentar divergências, de acordo com a literatura consultada.
TABELA 8. Velocidades de Chama
GÁS
|
COMBURENTE
|
Ar
|
Oxigênio
|
|
(m/seg)
|
(m/seg)
|
|
Metano
|
0,4
|
3,9
|
Propano
|
0,45 / 0,5
|
3,3 / 3,9
|
Butano
|
0,35
|
3,3
|
Acetileno
|
1,46
|
7,6
|
Hidrogênio
|
2,66
|
14,35
|
A Tabela 8 mostra que os gases combustíveis podem
ser divididos em dois grupos: gases de baixa velocidade (como o GLP e o gás
natural) e gases de alta velocidade (como o acetileno e o hidrogênio). Também
podemos constatar que as velocidades de chama aumentam significativamente na
queima com oxigênio puro.
A velocidade de chama é uma característica muito
importante para o projeto dos bocais dos queimadores. Enquanto as velocidades
de saída das misturas ar-gás ou oxigênio-gás nos bocais tendem a expulsar a
chama para fora do queimador, a velocidade da chama se desloca no sentido
contrário, dirigindo-se ao bocal do queimador. Enquanto houver equilíbrio entre
estas velocidades, a chama se manterá estável, definindo assim a faixa de
potências de cada queimador.
O projeto dos bocais dos queimadores inclui
dispositivos para manter a chama estável em uma ampla faixa de potências e
respectivas velocidades de saída das misturas ar-gás e oxigênio-gás.
Combustão
A queima dos gases combustíveis pode ser feita com
ar atmosférico ou com oxigênio puro. A constituição aproximada do ar
atmosférico é a seguinte:
1. Em volume, 20,8% O2 e
79,2% N2
2. Em massa, 23% O2 e
77% N2
TABELA 9. Combustão Estequiométrica dos Gases com
Ar Atmosférico
GÁS
|
Ar de combustão
|
Produtos da Combustão
|
(Nm³ ar / Nm³ gás)
|
(Nm³ p.c. / Nm³ gás)
|
|
Monóxido de carbono
|
2,40
|
2,90
|
Metano
|
9,62
|
10,62
|
Acetileno
|
12,02
|
12,52
|
Eteno (etileno)
|
14,42
|
15,42
|
Etano
|
16,83
|
18,33
|
Propeno (propileno)
|
21,36
|
23,13
|
Propano
|
24,04
|
26,04
|
Buteno
|
28,85
|
30,85
|
Butano
|
31,25
|
33,75
|
Hidrogênio
|
2,40
|
2,90
|
TABELA 10. Combustão Estequiométrica dos Gases com
Oxigênio Puro
GÁS
|
O2 de
combustão
|
Produtos da Combustão
|
(Nm³ O2 /
Nm³ gás)
|
(Nm³ p.c. / Nm³ gás)
|
|
Monóxido de carbono
|
0,50
|
1,00
|
Metano
|
2,00
|
3,00
|
Acetileno
|
2,50
|
3,00
|
Eteno (etileno)
|
3,00
|
4,00
|
Etano
|
3,50
|
5,00
|
Propeno (propileno)
|
4,50
|
6,00
|
Propano
|
5,00
|
7,00
|
Buteno
|
6,00
|
8,00
|
Butano
|
6,50
|
9,00
|
Hidrogênio
|
0,50
|
1,00
|
Os valores indicados pelas Tabelas 9 e 10
referem-se à combustão estequiométrica. Na prática, os valores podem ser
diferentes dos indicados nas tabelas, de acordo com os objetivos das aplicações
dos gases combustíveis.
Principais Tipos de Chama
Chama Fuliginosa
Normalmente utilizada para depositar fuligem em uma
superfície, com as finalidades de desmoldagem ou lubrificação.
O gás queima sem ar de pré-mistura, apenas
arrastando o ar ambiente ao redor da chama, ou então com uma pré-mistura em
proporções mínimas com ar ou com oxigênio.
Chama Redutora
É a chama que tem por objetivo a combustão
incompleta do gás, com a presença de monóxido de carbono (preferencialmente)
e/ou hidrogênio nos produtos da combustão, gerando uma atmosfera protetora
contra a oxidação.
Este tipo de combustão é também chamado de
combustão sub-estequiométrica, pois a proporção de comburente é inferior aos
valores indicados nas Tabelas 9 e 10.
Chama Ligeiramente Oxidante
É uma chama praticamente neutra, onde o teor de
oxigênio nos produtos da combustão é baixo, da ordem de 1 a 2%, para garantir a
queima total do gás (embora sempre exista a presença de traços de CO, da ordem
de ppm). Para atingir este objetivo, o excesso de ar de combustão deve ser da
ordem de 5 a 10% acima das proporções estequiométricas indicadas na Tabela 9.
Sob o ponto de vista de economia de combustível,
esta é a forma mais eficaz de se queimar um gás com a finalidade de geração de
calor.
Chama Oxidante
Algumas aplicações exigem uma atmosfera oxidante,
como no caso de incineração e outras aplicações onde se necessite garantir a
queima do material a incinerar ou a não-redução de óxidos metálicos.
As chamas oxidantes exigem o fornecimento de ar ou
oxigênio em proporções superiores aos valores indicados nas Tabelas 9 e 10. Por
exemplo, para se obter uma atmosfera com 7% de oxigênio, gerada por produtos da
combustão, é necessário praticar um excesso de ar de combustão da ordem de 50%
acima dos valores indicados na Tabela 9.
Geração de Ar Quente
Esta aplicação resume-se em queimar um gás
combustível e diluir a temperatura dos produtos da combustão com uma grande
quantidade de ar, a fim de se produzir ar quente, geralmente para processos de
secagem. Deve-se tomar o cuidado para efetuar esta diluição após a queima total
do combustível, evitando-se o "congelamento" da chama, ou seja, a
paralisação da reação de combustão por baixa temperatura. Este fenômeno da
extinção da chama introduziria produtos da combustão incompleta no ar quente,
além de aumentar desnecessariamente o consumo do gás.
>
|
Vantagens do Uso de Gases Combustíveis
1. Permitir o contato
direto dos produtos da combustão do gás com a carga a aquecer, o que, com
combustíveis líquidos, só seria possível através de tubos radiantes ou muflas.
A grande vantagem é a redução do consumo de energia obtida com o uso de um gás
combustível, sem tubos radiantes nem muflas.
2. Conformação das mais
diversas formas de chama, adequando-as com precisão aos processos e aumentando
a eficiência da transmissão de calor.
3. Facilidade de ignição,
mesmo com a câmara de combustão fria.
4. Possibilitar regulagens
finas nas temperaturas de processos.
5. Reduzir o custo de
manutenção das tubulações de distribuição e seus acessórios, do sistema de
controle de potência, bloqueio de segurança, medição, dos queimadores e da
instrumentação.
6. Dispensar os sistemas
de aquecimento e bombeio de óleos combustíveis pesados.
7. Praticar baixo nível de
excesso de ar de combustão, otimizando o uso da energia e reduzindo a formação
de óxidos de nitrogênio (NOx).
8. Não contaminar o meio
ambiente e prejudicar o desempenho e a vida útil dos equipamentos com fuligem,
óxidos de enxofre, vanádio, sódio, aldeídos, chumbo etc., como ocorre com
combustíveis líquidos.
9. Gerar menos gás
carbônico por caloria queimada, contribuindo de uma forma menos acentuada para
o efeito estufa.
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