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segunda-feira, 11 de março de 2013

Portuários endurecem o jogo contra o governo


Sindicalistas dão prazo até sexta-feira para Planalto negociar quatro mudanças na MP dos Portos e evitar greve de 24 horas. Paulinho da Força acusa governo de favorecer “amigos” com medida provisória
 

esde que foi editada, no último dia 7 de dezembro, a Medida Provisória 959/2012, mais conhecida como MP dos Portos, mudou a rotina de empresários, trabalhadores e representantes de classe da atividade portuária. A proposta do governo, que altera regras de funcionamento de portos e abre o setor para o capital privado, provoca uma série de conflitos e promete movimentar, nas próximas semanas, os mais diferentes lobbies no Parlamento. Uma mostra desse embate ficou evidenciada em duas audiências públicas promovidas na semana passada no Congresso. E não sem motivo:especialistas estimam que, pela atividade portuária, passaram cerca de R$ 800 bilhões, entre exportações e importações, em 2012.
À parte as cifras bilionárias, a questão legislativa é a que mais preocupa o governo, que dá uma atenção especial aos investimentos no setor portuário na tentativa de aquecer a economia. O setor ainda é considerado defasado e sem competitividade em relação aos principais atores comerciais do planeta.
Líder da Força Sindical, o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força, avisou ao Planalto: se não o governo não ceder, até a próxima sexta-feira (15), em relação a quatro pontos considerados inegociáveis pelos sindicalistas, uma nova paralisação nacional será realizada na segunda-feira (19), inicialmente por 24 horas. Para que se tenha uma ideia do que uma ação como essa representa, em fevereiro, uma paralisação realizada no Porto de Santos, por apenas seis horas, resultou em prejuízo de R$ 60 milhões, segundo dados do Controle de Segurança dos Portos (Codesp).
O governo e os representantes dos trabalhadores do setor portuário fecharam, em fevereiro, acordo para suspender as greves até o próximo dia 15 de março. Esse período deveria ser usado para negociação da medida provisória. Mas as negociações pouco evoluíram.
Sob ameaça
Depois de participar de audiência pública na comissão mista que analisa a medida, Paulinho da Força explicou quais são os pontos inegociáveis. “Primeiro, não aceitaremos nenhum acordo que não tenha o OGMO [órgãos gestores de mão de obra] fornecendo pessoal para empresas públicas e privadas; em segundo lugar, os portos públicos e privados têm de ter paridade, isonomia de custos; terceiro, é preciso manter a autonomia dos estados nos portos; e quarto, não é possível que o Brasil abra mão da guarda portuária e terceirize a segurança nos portos. É um caminho livre para o tráfico”, observou o deputado.
Integrante da base aliada, Paulinho diz duvidar da construção de um acordo e prevê derrota do governo na votação da MP no Congresso. “O interessante é que vimos que, nesta comissão mista, vamos ter condição de ganhar do governo, caso o governo não mude a sua opinião sobre a medida provisória”, afirmou. Ele diz que, caso não haja sinalização do governo, milhares de caminhões de transporte interromperão o fluxo na Marginal Pinheiros, em São Paulo, e nas vias contíguas ao Porto de Paranaguá, no Paraná. “O governo não levou isso em conta: podemos paralisar os portos brasileiros a qualquer momento”, desafiou.
Líder do governo no Senado e relator da medida provisória, o senador Eduardo Braga (PMDB-AM) reclama da postura dos sindicalistas e cobra mais espaço para o diálogo. “Sinalizar com uma greve não é bom indicativo quando se negocia”, ponderou, depois da audiência pública. Ele reclamou do fato de ter se reunido com representantes do setor e, mesmo assim, não ver afastada a ameaça de paralisação. “Se está na mesa de negociação até o dia 15, como anunciar que há uma paralisação para o dia 19? Com estranheza, portanto, recebi essa informação”, declarou o peemedebista.
Cabe a Eduardo Braga receber ou rejeitar as emendas apresentadas ao texto original na comissão mista que analisa a MP. Para se ter uma ideia do interesse que o assunto desperta, 645 sugestões de alteração foram apresentadas. Ele promete analisá-las em blocos temáticos. O relator deve apresentar seu parecer no dia 3 de abril, com previsão de votação para o dia 10. “O interesse do Congresso e do governo é que o Brasil tenha portos eficientes e competitivos na nova realidade da economia brasileira”, declarou o senador peemedebista.
Para amigos
Insatisfeito com as mudanças, Paulinho diz que há outros interesses por trás da MP. Ele acusa o governo de favorecer “amigos” com a medida provisória, sob o pretexto de aprimorar a produção portuária. “Não podemos concordar que um porto que cresceu 1.100%, em 12 anos, seja considerado sucateado. Nossos portos hoje têm a mesma competitividade que o porto de Rotterdam [Holanda], por exemplo. Embarcamos 80 contêineres por hora, produtividade parecida com os portos internacionais. O que há é uma tentativa de mudar o sistema portuário para favorecer amigos”, fustigou Paulinho da Força, referindo-se ao Porto de Santos.
Tão logo foi publicada, a medida provisória foi apelidada por Paulinho e outros sindicalistas como “MP Eike Batista”. “Se querem acabar com os portos públicos e entregar para o Eike, tenham a coragem e assumam que estão dando o porto para Eike. É uma malandragem essa história”, chegou a declarar à Agência Estado. Portuários afirmam que a abertura dos portos foi elaborada para atender aos interesses do megaempresário, que construiu um porto no litoral no estado do Rio de Janeiro e vai construir outro no estado de São Paulo.
Segurança terceirizada
Outra questão reivindicada pelos trabalhadores é que o serviço de segurança nos terminais privados seja função do Estado, e não terceirizado, como previsto no texto original encaminhado pelo Executivo. Os sindicalistas também condenam a retirada dos poderes dos Estados sobre a administração dos portos e se preocupam, ainda, com a isonomia de custos para portos públicos e privados.

Com a MP 595/2012, o governo federal anunciou um investimento de R$ 54,2 bilhões até 2017 (dos quais R$ 44 bilhões para o setor privado), com o planejamento de portos e terminais a cargo da Secretaria de Portos. Diversos pontos da MP ainda causam polêmica. A questão envolve direitos de produção e garantias trabalhistas, além dos óbvios interesses desenvolvimentistas do governo. Os atores envolvidos na questão tentam, até agora em vão, solucionar a difícil matemática das negociações com o Planalto, em procedimento que vai desfigurar o texto da proposição caso fracasse a articulação governista.

Belo Monte: Novo tumulto nas obras


Cerca de cinco pessoas teriam iniciado movimento nos canteiros Canais e Diques, e sítio Belo Monte

Por Natália Bezutti
Crédito: Norte Energia
Um grupo com cerca de cinco trabalhadores da usina hidrelétrica de Belo Monte iniciou, na noite deste domingo (03/03), tumulto no canteiro de obras Canais e Diques - ateando fogo nos colchões -, e no sítio Belo Monte - depredando as instalações do alojamento. Mesmo assim, segundo a assessoria do Consórcio Construtor de Belo Monte (CCBM), a mobilização não interferiu nos trabalhos, que seguem a 100%.
Não se sabe ainda quais foram os reais motivos que deram início ao tumulto, já que a empresa não está em período de negociação com os trabalhadores, e que a data base é no mês de novembro. Segundo o consórcio, também não há nenhuma reivindicação pendente.
De acordo com sua assessoria, o CCBM lamenta o ocorrido, principalmente por entender que o incidente colocou em risco os cerca de 17 mil operários que atuam no empreendimento. Agora, a empresa aguarda a apuração da Polícia Civil na região para descobrir a motivação, e verificar de que forma poderá agir.    
Paralisação das obrasNesta terça-feira (04/03), os representantes da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Tráfico de Pessoas deverá reunir-se com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e solicitar a paralisação das obras da megausina. os parlamentares querem a interrupção dos trabalhos até que a Norte Energia cumpra condicionantes acordadas. A CPI acredita que o aumento da criminalidade em Altamira, cidade paraense próxima da usina, bem como a precarização da infraestrutura local deve-se ao não-cumprimento destas condicionantes.

Governo brasileiro silencia sobre violações


De cada cinco pedidos de explicação enviados pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU, pelo menos três são ignorados, aponta levantamento do Correio. Temas vão de grandes projetos, como Belo Monte, a execuções sumárias de líderes ambientalistas

 
RENATA MARIZ - Correio Braziliense
Publicação: 04/03/2013 04:00
Operação policial na região conhecida como cracolândia, no centro de São Paulo, em 2012, é um dos assuntos de interesse da ONU ainda pendentes (Nilton Fukunda/AE - 16/1/12)
Operação policial na região conhecida como cracolândia, no centro de São Paulo, em 2012, é um dos assuntos de interesse da ONU ainda pendentes


De todos os questionamentos sobre denúncias enviados pelo Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) ao Brasil, menos de 40% são respondidos. O governo federal, responsável por atender aos apelos do principal órgão internacional no tema, mesmo a respeito de situações estaduais ou até municipais, simplesmente não retorna à maior parte dos comunicados recebidos. Em média, de cada cinco pedidos de explicação que chegam ao país, mais de três são ignorados. Os dados fazem parte de um levantamento feito pelo Correio com informações dos últimos quatro anos.

Entre 2009 e 2012, a ONU se dirigiu ao Brasil pelo menos 19 vezes com questionamentos sobre situações específicas de violações de direitos humanos ocorridas em território nacional. Apenas sete foram respondidos. A postura difere muito do “espírito de cooperação” mencionado pelo ministro de Relações Exteriores, Antonio Patriota, segunda-feira passada, em discurso durante a cerimônia de retorno do Brasil ao Conselho de Direitos Humanos da ONU. Depois de dois anos fora do colegiado, o país voltou para um mandato de três anos, iniciado há uma semana exatamente.

Para Camila Asano, coordenadora de Política Externa da Conectas Direitos Humanos, uma das entidades da sociedade civil mais atuantes na ONU, os números levantados pela reportagem mostram que a tal cooperação carrega muito de retórica. “Responder a um comunicado é o mínimo que se espera de um país que se diz compromissado com os direitos humanos, especialmente porque os questionamentos se referem a violações concretas ocorridas no Brasil”, destaca a especialista. E completa: “O governo brasileiro não está devendo resposta à ONU apenas, mas à sociedade brasileira.”

O Itamaraty, por meio da assessoria de imprensa, confirmou a existência de pelo menos 12 questionamentos sem resposta feitos pelo Conselho de Direitos Humanos — muitas vezes classificados de “apelos urgentes” — desde 2009. A pasta ressalta, entretanto, que todos serão respondidos. Sobre a demora, que em alguns casos chega a três anos e meio, alega dificuldades na obtenção das informações necessárias para responder ao órgão internacional. Mas ressalta que não há prioridade de alguns temas em relação a outros.

“Entendemos a dificuldade, até pelo pacto federativo, de se obter informações com rapidez. Mas deixar uma comunicação sem resposta por dois, três anos não parece razoável. Esse argumento vem sendo apresentado há anos. Então, o governo federal já deveria ter encontrado uma forma de dialogar melhor com os entes federados”, ressalta Camila. Para Sandra Carvalho, diretora da organização Justiça Global, que também acompanha casos de violação denunciados em nível internacional, há um claro enfraquecimento do tema nos últimos anos. “O Estado brasileiro tem perdido prazos não só na ONU mas também na Comissão Interamericana de Direitos Humanos, da OEA (Organização dos Estados Americanos).”

Tanto na OEA quanto na ONU, o Brasil vem sendo bombardeado por questionamentos sobre os impactos sociais de grandes obras como a construção da usina de Belo Monte, no Pará, e a transposição do Rio São Francisco. Mas também a respeito de execuções sumárias, abuso de autoridade, ameaça à independência de juízes, povos indígenas e quilombolas, política de drogas e acesso à saúde. “Alguns são casos pontuais em que as vítimas ou familiares, não conseguindo respostas internamente, recorrem a uma esfera internacional. O governo não pode simplesmente ignorar as demandas e as determinações dos organismos de direitos humanos dos quais faz parte”, afirma Sandra.


Ministro das Relações Exteriores, Patriota prometeu cooperação (Patrick Fort/AFP)
Ministro das Relações Exteriores, Patriota prometeu cooperação

quinta-feira, 7 de março de 2013

Busca por segurança energética não preocupa eólicos nos próximos leilões


Busca por segurança energética não preocupa eólicos nos próximos leilões.
Abeeólica aposta na competitividade da energia dos ventos Por Wagner Freire

O país enfrenta atualmente a situação do baixo nível dos reservatórios, o que vem sinalizando para o governo uma necessidade de contratar mais energia de reserva. Esse panorama deve refletir na estratégia do governo de realização de leilões. Desde 2005, a contratação era feita por preço e licitava-se o que era competitivo. Esta sistemática deverá ser revisada, no sentido de garantir uma segurança maior do suprimento.

Essa é a leitura que a presidente executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), Elbia Melo, faz para os próximos leilões de geração - o primeiro está previsto para ocorrer em maio. No entanto, uma pressão conjuntural para a necessidade de contratar mais térmicas para garantir uma segurança energética não preocupa fontes mais sazonais, como é o caso da geração a partir dos ventos.

"Nessa perspectiva, não achamos que o setor eólico vai perder; na realidade todos nós vamos ganhar. O setor eólico faz uma analise do que é bom para o setor elétrico como o todo. E o que é bom para o setor elétrico é que ele seja seguro e estável, seja do ponto de vista de suprimento, seja da regulação. Isso é bom para o setor elétrico; e o que é bom para o setor, é bom para a eólica. Principalmente porque a fonte é a segunda mais competitiva do País. A fonte eólica hoje só perde para grandes empreendimentos hidrelétricos. Então, qualquer mudança que seja feita [na contratação dos leilões], nós estamos sempre competitivos”, disse a executiva.

Elbia voltou a afirmar que o que aconteceu em 2012 deve ser esquecido . Falou que os preços praticados no leilão de dezembro não refletem a realidade do setor, portanto, não serve de parâmetro para tomadas de decisões.

"O cenário para 2013 é completamente diferente. Os mesmo três fatores que explicam 2012, que não foi muito bom do ponto de vista de investimento, mudam em 2013. Sabe-se que o PIB [Produto Interno bruto] será bem melhor; os excessos de contratos das distribuídas não existem mais. Sem contar que essa redistribuição relativa à Medida Provisória 579 deixou uma falta de energia no portfólio das distribuidoras. Isso já sinaliza para necessidade de realização de leilão", analisou.

"Governo sinaliza para pelo menos quatro leilões, sendo um leilão de energia de reserva. Este é um leilão muito bom para a fonte eólica. Estamos nos preparando para esses leilões. Temos um portfólio grande de projetos e estamos aptos a contribuir", completou, ao discursar em evento recente, realizado em São Paulo. 

segunda-feira, 4 de março de 2013

O cartão amarelo do PMDB para Dilma Rousseff no Rio


Propaganda de Lindbergh na televisão irritou o comando peemedebista. Partido de Cabral avisa que não garante coesão no Rio em torno de Dilma em 2014 se PT lançar candidato
Cecília Ritto, do Rio de Janeiro
A presidente Dilma Rousseff, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, e o vice-governador Luiz Fernando Pezão em audiência para discutir a divisão dos royalties do petróleo
A presidente Dilma Rousseff, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, e o vice-governador Luiz Fernando Pezão: parceria ameaçada em 2014 (Carlos Magno/Divulgação)
O racha entre PT e PMDB estava anunciado no Rio de Janeiro. A surpresa da campanha antecipada no estado foi a troca de farpas e manifestações oficiais na segunda-feira, às vésperas de os candidatos dos dois lados – o vice-governador peemedebista Luiz Fernando Pezão e o senador petista Lindbergh Farias – começarem suas maratonas pelo interior. Na segunda-feira, o presidente do PMDB no Rio, Jorge Picciani, enviou uma carta sugerindo a intervenção da executiva nacional do PT no diretório estadual com o objetivo de impedir a existência de dois palanques em 2014 para Dilma Rousseff. Pelo cenário atual, os dois partidos, que caminharam juntos no governo do peemedebista Sérgio Cabral, quebrariam a aliança e concorreriam em campos diferentes. A carta do PMDB não foi bem recebida pelo PT.

“Todas as nossas lideranças e, sobretudo, a nossa militância apoiam Pezão, um gestor experiente e capaz. Sua candidatura é inegociável – não há hipótese de ele não ser candidato. Por tudo isso, o cenário de palanque duplo para a presidenta Dilma não se sustenta. Trata-se de uma equação que não fecha e cujo resultado não será a soma, mas a subtração”, avisou Picciani, na nota. O texto será lido por Leonardo Picciani, filho do presidente estadual, na convenção de sábado do PMDB nacional.

 
O recado é simples: se Lindbergh insistir na candidatura, Cabral poderá apoiar a reeleição de Dilma, mas os parlamentares peemedebistas estarão livres para tomar posicionamentos independentes. Ou seja, o trabalho de formiguinha dos candidatos do PMDB à Assembleia Legislativa do Rio e à Câmara, nos seus currais eleitorais, não precisará incluir o nome de Dilma. “Se houver dois palanques no Rio, é incontrolável manter a base do PMDB no estado. Não teremos garantia de que conseguiremos unir o partido no apoio à reeleição”, disse Leonardo Picciani, que se tornará o representante do Rio na executiva nacional da sigla.
Televisão – A carta é uma reação direta às inserções de Lindbergh na televisão na semana passada. Os peemedebistas acreditavam que o senador usaria o espaço para se apresentar, contar a trajetória como prefeito de Nova Iguaçu e a atuação no Congresso. O PMDB, no entanto, considerou que as aparições de Lindbergh o colocaram “no lado oposto”. Na TV, o petista falou como candidato e lançou o slogan: “Está chegando o melhor momento do Rio”. O histórico do político não foi abordado. E o tempo destinado a Lindbergh foi usado para dizer que é preciso “reduzir a distância que separa o Rio pobre do Rio rico”.
“O PMDB fez um documento para a convenção deles. Podem estar com um tom mais forte, mas, por enquanto, é só um debate. Cada um tem a sua metodologia. Faz parte do jogo”, disse o presidente do PT-RJ, Jorge Florêncio, garantindo que o partido não deixará de lançar candidato em prol do PMDB.
A ideia inicial do partido e de Cabral era começar a campanha de Pezão aos poucos, com uma agenda intensa de inaugurações realizadas pelo vice-governador. Mas, diante do mergulho de Lindbegh na campanha, os peemedebistas também agiram. Nesta semana, o petista inicia as caravanas pelo estado – uma viagem sem passagem de volta para a aliança entre o PT e o PMDB no Rio.

sexta-feira, 1 de março de 2013

Economia brasileira cresceu 0,9% no ano passado, pior desempenho desde 2009


"PIBÃO", "PIBINHO" OU LASCADÃO?. EXPLICA AI corruPTISTAS. NUMCA TIVEMOS UM CRESCIMENTO TÃO PÍFIO, NOS GOVERNOS QUE ANTECEDEREM ESTA QUADRILHA DE CORUPTOS - ESTA É A MINHA POSIÇÃO, A MATÉRIA NÃO EXPÓS ESTA OPINIÃO

No quarto trimestre, expansão do PIB foi de 0,6% frente ao trimestre anterior, segundo IBGE

RIO - A economia brasileira pisou no freio e cresceu apenas 0,9% em 2012. É o pior desempenho desde 2009, segundo dados divulgados pelo IBGE nesta sexta-feira. Em 2011, o Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no país) havia crescido 2,7%. No último trimestre do ano passado, o PIB avançou 0,6% frente ao terceiro e 1,4% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Em valores, o PIB somou, em 2012, R$ 4,403 trilhões.

No biênio do governo Dilma, a economia cresceu em média 1,8% ao ano. Juros nos menores patamares históricos, crédito abundante e desoneração de tributos não foram capazes de garantir um crescimento mais forte da economia. O PIB per capita (PIB dividido pela população residente no país) atingiu R$ 22.402,00, subiu 0,1% em relação a 2011, em valores correntes.

Analistas esperavam uma alta menor que 1%. A prévia do PIB, medida pelo Índice de Atividade Econômica do Banco Central — Brasil (IBC-Br), havia apontado crescimento de 1,35%. No início do ano, o governo chegou a prever alta de 4% a 5%.

Pela ótica da demanda, o consumo das famílias subiu 3,1%. A Formação Bruta de Capital Fixo, que indica os investimentos, apresentou recuo de 4%.

Para o recuo dos investimentos pesou a queda de 9,1% na produção e importação de máquinas e equipamentos. A construção civil que também faz parte da FBCF avançou 1,9%. Segundo o gerente de Contas Nacionais, Roberto Olinto, o crescimento foi sustentado pelo aumento da renda e dos programas de habitação do governo.

A taxa de investimentos da economia brasileira atingiu 18,1% do Produto Interno Bruto em 2012, informou o IBGE. A taxa de poupança, por sua vez, correspondeu a 14,8% do PIB, indicando a menor taxa desde 2002, quando foi de 14,7%.

Indústria também teve piores resultados em três anos

De acordo com o IBGE, o crescimento da massa salarial aliada à expansão do crédito sustentou o crescimento do comércio varejista, em ritmo superior ao da indústria, e o consumo das famílias que continuou a crescer pelo nono ano consecutivo. O consumo do governo avançou 3,2%.O gerente de Contas Trimestrais, Roberto Olinto, afirmou que, na margem, há várias atividades que estão apresentando crescimento positivo. A FBCF deixou três trimestres de taxas negativas e cresceu 0,5% no quarto trimestre ante o anterior.

— É preciso ser cauteloso, mas na margem houve uma mudança e pode ser um sinal de que estamos tendo uma retomada — disse.

Mas assim, a indústria de transformação, construção civil registraram desempenhos negativos, com queda de 0,5% cada uma.

Setor externo

As exportações subiram 0,5% em 2012, enquanto as importações subiram 0,2%. Segundo o IBGE, a valorização do dólar ante o real explicou o desempenho das exportações. A taxa de câmbio médio passou de R$ 1,67, em 2011, para R$ 1,95, em 2012.

O IBGE revisou a variação do PIB no terceiro trimestre ante o trimestre anterior, que passou de uma alta de 0,6% para 0,4%. No segundo trimestre, na mesma base de comparação, o avanço foi de 0,2% para 0,3%


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Novo Finame traz aumento de dois dígitos aos preços dos equipamentos eólicos


Geradores reclamam da dificuldade de obter repostas dos fabricantes

Por Wagner Freire, de São Paulo (SP)
Crédito: Divulgação
As novas regras do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para financiar equipamentos da indústria eólica já foram precificadas pelo setor. Segundo agentes geradores ouvidos pelo Jornal da Energia, as exigências do Finame aumentaram os custos dos equipamentos em dois dígitos, ou seja, em pelo menos 10%. O fato é que os equipamentos representam 75% dos custos dos parques eólicos no Brasil e, segundo os agentes consultados, sim, será repassado para os consumidores no momento da venda da energia, no caso, nos próximos leilões.
“Os custos dos equipamentos devem subir significativamente”, afirmou Mathias Becker, diretor presidente da Renova Energia. “Na nossa visão por dois motivos: pela exigência maior para que os equipamentos sejam produzidos no Brasil; e, consequentemente, haverá uma consolidação dos fabricantes, que por uma pressão de mercado, se resumirão em cinco ou seis empresas, diminuindo a oferta.”
Para Mathias, a conta é simples. “Se o custo do fabricante sobre, o preço da energia sobe junto”, disse ele, após participar do Wind Forum Brazil, nesta quarta-feira (27/02), em São Paulo.
“O que essa nova regra teve de louvável”, completou o diretor geral da EDP Renováveis, Renato Volponi, “foi criar de fato critérios mais objetivos da nacionalização que está se buscando atingir, mas os prazos colocados e o rigor da cobrança são incompatíveis com o que a indústria pode conseguir.”
Ele opinou: “Não vejo como se chegar ao fim daquela tabela do Finame com 100% com 60% de nacionalização. E o temor é que haja menos oferta de equipamentos. Tenho hoje uma dificuldade muito grande de conseguir respostas de propostas e isso não é bom”, arrematou.
As novas regras do Finame, que nada mais é que uma linha de financiamento do BNDES a juros baixos para a cadeia produtiva, foi apresentada no dia 12 de dezembro de 2012, dois dias antes do leilão A-5. A nova metodologia estabelece metas físicas, com ampliação progressiva da quantidade de componentes nacionais nos equipamentos, que terão de ser cumpridas pelos fabricantes de acordo com um cronograma previamente estabelecido.
O diretor executivo da Casa dos Ventos Energias Renováveis, Clécio Antonio C. Eloy, entendeu que “é legitimo a tentativa do governo de tentar nacionalizar tudo que for possível, mas faltou um pouco mais de inteligência e o tiro pode acabar saindo pela culatra”.
Para o diretor de geração da CEEE, Carlos Ronaldo Vieira Fernandes, “é perfeitamente compreensível que os governos ( federal e estaduais) trabalhem a energia eólica não só como uma alternativa de energia, mas como uma política de desenvolvimento integrado, atraindo plantas industrias que produzam equipamentos no País. O que pode se discutido é a velocidade dessas mudanças, que acontecem em cronogramas incompatíveis com a necessidade de expansão de fonte nesse momento.”
Segundo Volponi, em alguns casos, o novo Finame provocou aumento entre 15% e 25% no custo dos equipamentos.
Para o A-3, os agentes esperam que o governo precifique todos esses fatores e contam com um preço teto acima dos atuais R$110 por MWh.