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sábado, 2 de fevereiro de 2013

ASSIM SEGUE A POLITÍCA DE DESCOVERNO DO corruPT


Quase sete anos após a estatização de seus ativos pelo presidente Evo Morales, a Petrobras volta a investir na Bolívia. Em 30 de dezembro, a estatal venceu licitação para explorar um campo de 1,1 milhão de hectares no Departamento de Santa Cruz, região que abriga as maiores reservas de gás natural do país.

A Petrobras informou ao 'Valor' que vai assinar contrato de prestação de serviço com a estatal boliviana YPFB e estimou que os trabalhos no local podem começar no segundo trimestre. Não divulgou, porém, dados sobre o investimento previsto ou o tamanho das reservas.

Uma preocupação do governo é que a produção nas jazidas hoje operadas pela Petrobras na Bolívia deve começar a declinar a partir de 2017. Em um quadro de alta do consumo torna-se fundamental encontrar novas reservas, uma vez que o gás boliviano continuará sendo estratégico para o abastecimento no Brasil. Essa importância aumenta à medida que o país vai batendo recordes na demanda por gás. Só em novembro foram 70,9 milhões de metros cúbicos diários, alta de 41,5% em relação ao mesmo período de 2011, por conta do acionamento de termelétricas devido ao baixo nível dos reservatórios. De janeiro a novembro, a alta foi de 18,2%.

Fontes do governo brasileiro disseram que interessa ao Brasil continuar contando com o gás da Bolívia após o fim do contrato atual, em 2019. Ao 'Valor', a estatal informou que "pretende negociar oportunamente a renovação".

Do ponto de vista boliviano, o governo Evo Morales tenta assegurar a manutenção de seu principal cliente. O contrato entre Petrobras e YPFB prevê a exportação de 30 milhões de metros cúbicos diários de gás ao Brasil, através do gasoduto Brasil-Bolívia. Só no ano passado, as exportações de gás da Bolívia somaram US$ 5,741 bilhões, sendo 75% desse valor ao Brasil. O gás é um produto essencial para a balança comercial do país vizinho, representando 48,8% de suas exportações.

Greves e falta de linhas de transmissão atrasam início da operação de Jirau

01/02/2013 | 16h03


A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou nesta sexta-feira (1º) a alteração do cronograma de implantação da Usina Hidrelétrica de Jirau, no Rio Madeira (RO). Com a mudança, o início da geração comercial de energia, prevista para 31 de janeiro deste ano, passou para o dia 1º de março.
A Energia Sustentável do Brasil, responsável pelo empreendimento, pediu prorrogação até maio, mas os diretores da Aneel entenderam que a geração deveria começar em março. A empresa alegou que as greves de trabalhadores e incidentes no canteiro de obras ocorridos no ano passado, como saques e depredações, atrasaram o cronograma, além da operação padrão de auditores da Receita Federal, que retardou a entrega de equipamentos.
A empresa argumentou também que as linhas de transmissão, que vão escoar a energia da usina, só ficarão prontas em abril. “Esse alinhamento de datas é muito benéfico para o consumidor, porque não haverá nenhum desembolso por uma energia que não poderia ser entregue”, explicou a representante da Energia Sustentável do Brasil, Gerusa Magalhães.
Com investimento de mais de R$ 13 bilhões, a usina terá capacidade instalada de 3,75 mil megawatts (MW) e garantia física de 2,18 mil MW médios, suficiente para abastecer mais de 10 milhões de casas.
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou nesta sexta-feira (1º) a alteração do cronograma de implantação da Usina Hidrelétrica de Jirau, no Rio Madeira (RO). Com a mudança, o início da geração comercial de energia, prevista para 31 de janeiro deste ano, passou para o dia 1º de março.

A Energia Sustentável do Brasil, responsável pelo empreendimento, pediu prorrogação até maio, mas os diretores da Aneel entenderam que a geração deveria começar em março. A empresa alegou que as greves de trabalhadores e incidentes no canteiro de obras ocorridos no ano passado, como saques e depredações, atrasaram o cronograma, além da operação padrão de auditores da Receita Federal, que retardou a entrega de equipamentos.

A empresa argumentou também que as linhas de transmissão, que vão escoar a energia da usina, só ficarão prontas em abril. “Esse alinhamento de datas é muito benéfico para o consumidor, porque não haverá nenhum desembolso por uma energia que não poderia ser entregue”, explicou a representante da Energia Sustentável do Brasil, Gerusa Magalhães.

Com investimento de mais de R$ 13 bilhões, a usina terá capacidade instalada de 3,75 mil megawatts (MW) e garantia física de 2,18 mil MW médios, suficiente para abastecer mais de 10 milhões de casas.

OGX fura poço seco em Campos -O PROXÍMO ESCÂNDALO FINANCEIRO,


01/02/2013 | 17h44

A petrolífera OGX perfurou um poço no prospecto de Cozumel, na bacia de Campos, mas não encontrou indícios de petróleo. Após a divulgação da informação pela própria empresa, as ações da OGX e da OSX desabaram na Bovespa.

O papel da petrolífera chegou a derreter mais de 10% e fechou em queda de 6,18%. O da empresa de construção naval do grupo EBX desabou 8,54%.

No sentido contrário ao das duas empresas, o Ibovespa (principal índice de ações da Bolsa brasileira) subiu 0,72%.

A OGX tinha expectativa de que houvesse 168 milhões de barris de óleo equivalente (BOE) no prospecto de Cozumel, segundo relatório do Citi Research de quinta-feira (31).

A descoberta em Cozumel, segundo o Citi, era necessária para viabilizar a construção da plataforma OSX 5 pela empresa de construção naval do empresário brasileiro.

Com o poço seco em Cozumel, a OGX remanejou sua sonda de perfuração para outro prospecto, o de Cancun, onde há a perspectiva de haver até 205 milhões de barris de óleo equivalente, disse o relatório do Citi.


Descoberta em Tulum

A companhia informou também que encontrou indícios de hidrocarbonetos no prospecto de Tulum, também na bacia de Campos.

A estimativa da OGX é de até 196 milhões de barris de óleo equivalente no poço.

domingo, 13 de janeiro de 2013

Por que a desapropriação de terras está parada no governo Dilma?



Da Página do MST
O governo Dilma é o que menos desapropriou imóveis rurais para fazer reforma agrária nos últimos 20 anos.
Reportagem da Folha de S. Paulo, publicada neste domingo, revela que na primeira metade do mandato, 86 unidades foram destinadas a assentamentos.

O número supera só o de Fernando Collor (1990-92), que desapropriou 28 imóveis em 30 meses, comparando ao mesmo período das administrações anteriores desde o governo Sarney (1985-90).
"O governo Dilma é refém dessa aliança com o agronegocio, que é o latifundio modernizado, que se aliou com as empresas transancionais. O governo está iludido pela proteção que a grande midia dá a essa aliança e com os saldos na balança comercial. Mas esquece que esse modelo é concentrador de terra e de renda, desemprega muita gente, desmata o meio ambiente, sobrevive usando cada vez mais venenos agrícolas, que vão se transformar em câncer", disse Alexandre Conceição, da coordenação nacional do MST, em entrevista à Folha.
"O governo Lula e Dilma não são governos do PT nem de esquerda. São governos de uma frente politica de classes que reúne um amplo leque de classes sociais brasileiras. Desde a grande burguesia, o agronegócio, a classe média, a classe trabalhadora, os camponeses e os mais pobres. Essa natureza de composição dá estabilidade política ao governo e amplas margens de apoio na opinião pública, mas impede reformas estruturais, que afetariam os interesses das classes privilegiadas", analisa Alexandre.
Abaixo, leia a íntegra da entrevista concedida pelo dirigente do MST à Folha, que publicou trechos.
Como o senhor avalia o histórico dos números de desapropriações e assentamentos? A quantidade de famílias assentadas e desapropriações vêm caindo desde 2008/2009.
Infelizmente, nos últimos dois anos do governo Lula e agora no governo Dilma, foi abandonada a política de desapropriação de latifúndios. Isso é um desrespeito à Constituição, que determina que todo latifundio improdutivo deve ser desapropriado e dividido para quem quiser trabalhar. Em segundo lugar, a política do governo favorece a concentração da propriedade da terra em todo o país. Os latifundiarios agradecem, embora depois votem nos tucanos, como o mapa eleitoral demonstrou em 2010.

Como o senhor avalia o desempenho da reforma agrária durante a gestão petista, desde 2003?
O governo Lula e Dilma não são governos do PT nem de esquerda. São governos de uma frente politica de classes que reúne um amplo leque de classes sociais brasileiras. Desde a grande burguesia, o agronegócio, a classe média, a classe trabalhadora, os camponeses e os mais pobres.
Essa natureza de composição dá estabilidade política ao governo e amplas margens de apoio na opinião pública, mas impede reformas estruturais, que afetariam os interesses das classes privilegiadas. Assim, nesse tipo de governo, estão bloqueadas não só a Reforma Agrária, mas tambem a reforma tributária, a reforma politica, a reforma do judiciário, a reforma industrial, a reforma urbana e a reforma educacional. O governo não consegue nem aprovar a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, que é uma questão civilizatória e que os países do capitalismo industrial já adotou.

Como o senhor avalia o desempenho do governo Dilma Rousseff nestes dois anos, com apenas 76 imóveis desapropriados?
Uma vergonha! O governo Dilma é refém dessa aliança com o agronegocio, que é o latifundio modernizado, que se aliou com as empresas transancionais. O governo está iludido pela proteção que a grande midia dá a essa aliança e com os saldos na balança comercial. Mas esquece que esse modelo é concentrador de terra e de renda, desemprega muita gente, desmata o meio ambiente, sobrevive usando cada vez mais venenos agrícolas, que vão se transformar em câncer. 500 mil novos casos de câncer aparecem por ano pelos alimentos contaminados. E o cancer é democrático, porque pega todo mundo. É um modelo predador do meio ambiente e só aumenta os índices de desigualdade nos municípios aonde é hegemonico. Perguntem aos prefeitos eleitos se eles querem grandes propriedades exportadoras e isentas de ICMS ou querem um meio rural de agricultura familiar? A história vai cobrar desse governo no futuro. Mas ai será tarde...

Como mudar esse cenário para 2013? O que o MST pretende fazer e o que espera do governo federal?
O MST vai continuar lutando e ocupando os latifúndios improdutivos para forçar as desapropriações e, ao mesmo tempo, costurar alianças que levem a um novo projeto para o país. No entanto, a reforma agrária agora não é apenas o aumento do número de desapropriações. Isso é uma obrigação constitucional. A reforma agrária agora representa a necessidade de mudança do modelo agricola. Deixar o agronegocio de lado e reorganizar a agricultura baseada na produção de alimentos sadios para o mercado interno. Reforma agrária é reorganizar o setor agroindustrial, baseado em cooperativas e não grandes empresas transnacionais como agora. Adotar a matriz tecnologica da agroecologia, preservar o meio ambiente e frear o êxodo rural para as grandes cidades. Mas para isso é preciso um novo projeto para o Brasil. Esse projeto depende da construção de alianças de classe que extrapolam as bases sociais e a força politica dos movimentos camponeses.

sábado, 12 de janeiro de 2013

Os tiros que Dilma dá no próprio pé, por Antonio Dias Leite


POLÍTICA
Na metade do seu governo a presidente Dilma recebe aprovação de elevada proporção da sociedade, devido, principalmente, a ações efetivas no domínio da redistribuição de renda, da redução da pobreza e do pleno emprego, não obstante as dificuldades da herança que a levou à traumática substituição de sete ministros e dirigentes de órgãos autônomos, como o indescritível Dnit, responsável pelo descalabro da infraestrutura rodoviária.
Infelizmente não foi formalizada nova estratégia abrangente de longo prazo. Sucedem-se planos de obras sem muita coerência, incluindo-se aí a vaidade do trem-bala.
Ocorreram intervenções discricionárias nas agências reguladoras e ressuscitou-se antiga tese da condução dos serviços de utilidade pública pela iniciativa privada, mas sem lucro.
Registre-se, contudo, que algumas iniciativas no domínio econômico foram favoravelmente recebidas, com destaque para a busca do realismo cambial e a redução da taxa de juros a níveis civilizados.
Preocupam-me decisões do Poder Executivo que ameaçam o futuro do segmento de energia, vital para uma retomada de desenvolvimento sustentável. Verdadeiros tiros no pé.
No domínio do petróleo decidiu-se alterar o marco regulatório relativo à exploração no mar, que vinha sendo conduzida com sucesso sob liderança da Petrobras. Ao fim do segundo mandato do presidente Lula, foi enviado ao Congresso um complexo conjunto de projetos de lei em torno do pré-sal.
Entre centenas de providências introduziu-se o sistema de partilha entre o Estado e as concessionárias. Atribuiu-se à Petrobras participação obrigatória em todas as parcerias, e criou-se nova empresa estatal para gerir esses contratos.
Estabeleceram-se também novas regras para os royalties que provocaram interminável disputa no Congresso. As licitações foram suspensas, a produção caiu, adiou-se a autossuficiência e a economia nacional sofreu um atraso de pelo menos cinco anos na exploração da nova riqueza.
A segunda decisão, de congelar os preços de derivados desde 2005, atingiu em cheio a integridade da Petrobras como empresa. Retirou-se a sua natural fonte de recursos enquanto se ampliou sua responsabilidade no investimento requerido pelo pré-sal.
No domínio da eletricidade o objetivo declarado do governo, ao editar, em setembro de 2012, a MP 579 foi a redução do preço a partir de 2013, mediante corte de margens financeiras na geração e na transmissão e redução de encargos.
A ideia de redução de preços teve, como não podia deixar de ter, expressiva aceitação. O texto da MP, prolixo e confuso, requereu nova MP corretiva.
Essas medidas tiveram grande impacto na estrutura do sistema elétrico que já estava claudicante em decorrência das sucessivas reformas a que foi submetido.
A Eletrobras, que já perdera grande parte da sua capacidade gerencial, foi profundamente afetada no seu equilíbrio econômico e financeiro e, portanto, na sua possibilidade de liderar procedimentos que criem esperança no futuro.
A insegurança institucional gerada por essas decisões repercutiu negativamente entre investidores, bem como entre aqueles com experiência prática nos serviços de energia elétrica no Brasil, que não se esqueceram do alto custo da falta de energia. Foi o terceiro tiro no pé.
Ao iniciar-se a segunda metade do governo, não obstante a continuidade da aprovação da maioria da opinião publica, amplia-se a probabilidade de insucessos. Excetuadas as ações mais antigas, como as referentes ao petróleo, que já produziram seus resultados negativos, ainda está por vir, no exercício de 2013 e seguintes, a parte negativa das ações no domínio da eletricidade.
Além desses setores-chave, a economia global corre risco, se não houver revisão do enorme elenco de programas de investimento, na sua maioria mal gerenciados e alguns até inexequíveis.
O risco se agrava com recentes imprudências macroeconômicas. Editorial recente do GLOBO (20/12) registrou o temor de uma volta do “modelo Geisel”, que nos levou ao descontrole financeiro e à hiperinflação.

Antonio Dias Leite foi ministro das Minas e Energia e é professor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

SINDIPETRO - A síndrome do edifício doente




    A tendência à construção de edifícios comerciais e administrativos muito fechados, com poucas aberturas para ventilação, e que gastam menos energia tornou-se frequente nas grandes cidades há mais de quatro décadas. A construção destes prédios hermeticamente fechados solucionou o problema do consumo de energia, porém ocasionou drástica redução da captação do ar externo e renovação do ar interno.
A qualidade do ar em ambientes fechados tem sido motivo de pesquisa em todo o mundo. Entretanto, no Brasil, ainda há poucos trabalhos científicos desenvolvidos e uma Legislação ainda insipiente, que não exige com rigor a análise de diversos elementos nocivos aos seres humanos e que podem e estão presentes em ambientes climatizados.
O fato de não haver obrigatoriedade legal de procederem-se estas medições, não deveria ser justificativa para sua não execução, visto que não medir não significa não existir e muito menos não afetar a saúde dos trabalhadores. Apesar disso, os parcos estudos realizados nessa área relacionam os índices de poluição interna aos efeitos adversos à saúde. A qualidade do ar nesses ambientes deve fazer parte da saúde ocupacional.
A OMS (Organização Mundial da Saúde) reconhece a existência da “Síndrome do Edifício Doente” (SED). O diagnóstico da SED é eminentemente epidemiológico. De acordo com a OMS, na ausência de diagnóstico de patologias definidas, o diagnóstico se faz pela ocorrência de dois ou mais sintomas, que se sucedem pelo menos duas vezes na semana, no interior do prédio, e regridem quando a pessoa se afasta do ambiente em questão.
As fontes comuns de contaminantes no ar de interiores incluem, além da própria construção e decoração do ambiente interno, sua renovação e remodelamento. Carpetes, materiais de acabamento, tintas, adesivos, produtos de limpeza e máquinas de escritório liberam contaminantes para o ar interior sob a forma de gases, vapores ou partículas em suspensão.
Meio ambiente
A umidade relativa alta é uma das principais causas de crescimento de ácaros, fungos, esporos e bactérias principalmente se está acompanhada de ventilação reduzida, poucas aberturas e por sistemas de aquecimento com temperaturas elevadas. A importância de sua presença no ar interno está no fato de serem responsáveis por causar inúmeras doenças infecciosas e alérgicas, provocadas por toxinas produzidas pelos microorganismos que crescem nos sistemas de ventilação.
Os principais sintomas apresentados pelos usuários de edifícios com essas características são: Irritação da pele e mucosas ( nariz, olhos ou boca), secura ( boca,olhos, nariz ou garganta), dores de cabeça, cansaço, respiração ofegante, tosse, vertigem e dificuldade de concentração além de apresentarem quadros de repetição de doenças como: sinusite, rinite, otite, amidalite, faringite, bronquite, pneumonia, asma, gripes e resfriados...
A suspeita da existência de uma SED é feita principalmente se: o trabalhador apresenta os sintomas enquanto trabalha ou está no edifício; se apresenta eliminação dos sintomas ao sair do edifício ou trabalhar fora por um momento; se apresenta retorno dos sintomas quando volta ao edifício e pela presença coletiva dos sintomas.


Lílian Alves, medica do Sindipetro-RJ

INFRAESTRUTURA ENERGETÍCA DO DESGOVERNO DO corruPT


Obras da refinaria Abreu e Lima também passam por problemas
Obras da refinaria Abreu e Lima também passam por problemas. Outra energia indispensável é o combustível. A frota de veículos mais do que dobrou em 10 anos. Somos autossuficientes em petróleo, mas precisamos importar cada vez mais gasolina, por falta de refinarias.
Um imenso complexo petroquímico, na região metropolitana do Recife, a Refinaria do Nordeste, A Abreu e Lima, deveria resolver parte do problema. Só podemos mostrar imagens de helicóptero, porque a Petrobras não permitiu o acesso ao canteiro de obras, alegando falta de segurança. Pelo projeto inicial, ela já deveria estar funcionando.
Só que as obras estão com dois anos de atraso. E com essa demora, os custos também se multiplicaram. Em 2005, quando foi aprovado o orçamento para a construção, era de R$ 4,7 bilhões. Em agosto do ano passado, ele foi revisto pela Petrobras para 41,2 bilhões. Um aumento de mais de oito vezes e meia.
Numa cerimônia no ano passado, a presidente da Petrobrás disse que o caso da refinaria deveria ser estudado e nunca mais repetido.
'As razões são muitas. Erros de planejamento, erros de projeto, entrega de equipamento atrasado. Então, tudo isso está colaborando pro preço duplicar, triplicar, multiplicar por 20', disse o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura, Adriano Pires.
Mas a Petrobras diz que houve muitas mudanças no projeto, e não dá para usar o preço inicial como referência.
'É uma referência a um projeto muito diferente do projeto que esta sendo implementado', diz o gerente-executivo de engenharia e abastecimento, Mauricio Guedes.
Segundo a Petrobras, a refinaria terá capacidade para produzir também outros combustíveis com nova tecnologia ambiental.
Então, um projeto diferente, sendo implantado num cenário diferente, num contexto diferente.
Mas o relatório Fiscobrás, editado pelo Tribunal de Contas da União, aponta irregularidades.
A terraplenagem teria sido superfaturada em R$ 90 milhões. Outros cinco contratos têm sobrepreço, ou seja, serão pagos preços muito acima do mercado.
Segundo o TCU, nesses cinco contratos o prejuízo para os brasileiros, todos sócios da Petrobras, chega a R$ 1,380 bilhão. A Petrobras não acatou a recomendação de paralisar as obras e refazer os contratos.
'Paulatinamente, nós temos esclarecido todas as irregularidades ou supostas irregularidades apontadas pelo TCU. E até hoje não existe julgamento sobre nenhuma irregularidade que tenha, em definitivo, sido constatada como tal pelo TCU. Até hoje conseguimos esclarecer a maior parte delas. Tem uma pequena parte que a gente ainda precisa esclarecer. E essa discussão continua', disse o gerente-executivo de engenharia e abastecimento, Mauricio Guedes.
Para especialistas no setor do petróleo, as causas do aumento de custos são muitas.
Abreu e Lima começou errada desde o momento que foi escolher o sócio que foi a PDVSA da Venezuela.
Até hoje a PDVSA não colocou um tostão na obra. No Rio de Janeiro, a Petrobras constrói outro complexo petroquímico, o COMPERJ - também atrasado, e também com indício de sobreço apontado pelo TCU. O contrato de implantação de uma tubovia está R$ 163 milhões acima do preço de mercado.
Um exemplo de falha de planejamento ocupa um grande espaço no porto do Rio. São 13 equipamentos - todos muito grandes e muito pesados para passar nas estradas existentes.
Estão no pátio há um ano e meio, porque não tem como ser transportados até o complexo petroquímico.
Precisam atravessar a Baía de Guanabara, chegar à Praia da Beira, em São Gonçalo.
Mas no lugar não há sinal de obras para construir o píer onde os equipamentos serão desembarcados.
Para ser levados por uma estrada especial - que ainda não existe - até a obra do Comperj.
A Petrobras não informa quanto está pagando pelo espaço ocupado no porto. Mas o Fantástico apurou que esse valor está na casa dos milhões de reais.
Parques eólicos estão com hélices paradas no Nordeste
A 2,6 mil quilômetros, no sertão da Bahia, há outro exemplo de desperdício. No lugar, o recurso abundante é o vento. Basta ver as árvores, que crescem curvadas. E, nas serras da região de Caetité, torres com turbinas eólicas, que poderiam gerar energia limpa e barata, brotam às centenas sobre a caatinga.
O Nordeste já tem instalados e prontos para funcionar parques com capacidade para abastecer uma cidade do tamanho de Brasília. Mas as hélices estão paradas. E não por falta de vento.
Os parques ficaram prontos em julho, bem a tempo de ajudar o Brasil a enfrentar o período das secas, quando os reservatórios das hidrelétricas ficam mais baixos. Só que até agora nem um kilowatt produzido no lugar entrou na rede. Simplesmente porque as linhas de transmissão, que deveriam entregar a energia de lá até o sistema, não foram construídas.
Várias empresas privadas investiram R$ 1,2 bilhão nos parques eólicos.
'Enquanto isso não é escoado, os parques têm que ficar parados. Tem uma manutenção especial, custosa, pra poder manter a máquina que foi feita pra girar, ela ficar parada', disse o diretor presidente da Renova Energia, Mathias Becker.
Por contrato, como terminaram a construção no prazo, as empresas estão recebendo do governo pela energia que poderiam gerar R$ 33,6 milhões por mês. De julho a outubro, foram R$ 134,4 milhões. E, segundo a Aneel, deve passar dos R$ 440 milhões até setembro, quando as primeiras linhas deverão ficar prontas. Esse dinheiro sai da sua conta de luz.
Cabos enrolados no local indicam literalmente um fim de linha. Toda a energia produzida pelos parques eólicos da região já poderia chegar até o lugar. Bastaria os cabos cruzarem a estrada pra chegar a uma subestação que deveria ter sido construída em um terreno onde o mato ainda está crescendo. Do ponto mostrado em vídeo até a linha principal pra se conectar ao sistema nacional, são 120 quilômetros. Só que as obras ainda nem começaram.
A responsável pela linha é a Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf). O diretor de engenharia da empresa diz que a culpa é da demora nos licenciamentos ambiental e do patrimônio histórico. Mas a Aneel entendeu que a Chesf geriu mal os prazos, e multou a empresa em R$ 12 milhões - o que dá menos de 10% do prejuízo acumulado até agora.
A Aneel informa que vai cobrar esse dinheiro da Chesf.
Fantástico: A Chesf é também uma empresa pública?
'A Chesf é uma empresa de economia mista', disse o diretor de Engenharia e Construção da Chesf, José Aílton de Lima.'
Fantástico: Com maioria controladora do poder público. O contribuinte brasileiro. Se a Aneel ou a Chesf pagarem o prejuízo, de qualquer maneira o prejuízo sai do consumidor.
'De Todo jeito. Se fosse privada também. Quem paga a conta é sempre o consumidor de qualquer jeito. No momento em que a energia não tiver lá, não tiver saindo da usina, o consumidor vai estar pagando', disse o diretor.
Especialistas apontam as linhas de transmissão como o ponto crítico do sistema elétrico brasileiro hoje.
'Quando hoje nós observamos alguns apagões aqui e ali, isso quer dizer subinvestimento nas redes, subinvestimento na rede de transmissão. Não adianta você ter geração e ter distribuição se você não tem aquele meio que é a transmissão de energia', explica o especialista em infraestrutura Cláudio Frischtak.
No Brasil inteiro, 58 linhas de transmissão estão com as obras atrasadas em pelo menos quatro meses; 21 são de responsabilidade da Chesf. Em outras cinco a Chesf faz parte do grupo construtor.
Repórter: a empresa não tentou dar um passo maior que a perna? Ou pegar muitas concorrências, muitos leilões sem conseguir entregar as obras?
Diretor da Chesf, José Aílton de Lima: 'A empresa que não tentar dar um passo maior que a perna não é uma empresa, é outra coisa. Toda empresa que se preza dá um passo maior que a perna. E nós vamos continuar dando passo maior do que a perna. Isso pra mim não é problema.'
Neste momento, o Brasil não pode desprezar energia. Está usando todas as usinas térmicas, por causa dos reservatórios baixos nas hidrelétricas.
Sobre o risco de apagão que o Brasil corre, Cláudio Sales, presidente do Instituto Acende Brasil, afirma: 'Depende de que horizonte você está olhando. Se você olhar a realidade hoje, não. Hoje não estamos correndo esse risco de maneira dramática como corremos por exemplo em 2008. Mas se olharmos pra frente, supondo que o Brasil volte a crescer a taxas que todos desejamos, então nós temos que olhar pros problemas que estão acontecendo como indicadores de que há um risco, sim', disse o presidente do Instituto Acende Brasil, Cláudio Sales.
'No momento eu diria que a gente não corre o risco de falta de energia. O risco que a gente corre é dessa energia ser progressivamente muito cara', diz o ex-presidente da Eletrobrás, José Luiz Alquéres.
A poucos quilômetros de Caetité, no sertão da Bahia, bem perto das usinas eólicas paradas, mais uma noite chega escura para a agricultora Maria Lúcia Silva Santos.
'Eu sento aqui na calçada de noite no escuro sozinha, só mais Deus, olhando. A gente já acostumou. Tudo no escurinho. Tem vez que a tem lamparina. Tem vez que não tem. Não tem nem pra comprar o óleo para colocar nela. Fazer o quê? Não tem novela, porque não tem energia', conta a agricultora.
A eletricidade ainda não chegou a mais de um milhão de lares no brasil. A agricultora Maria Lúcia não tem o dinheiro para puxar os fios, a 500 metros de casa.
Ela conta o que vai querer colocar em casa, quando tiver energia: 'Só uma geladeira pra guardar as comidinhas. Às vezes, sobra um pouquinho que tem que botar na geladeira. Por que a gente não tem a geladeira, sobrou tem que jogar fora'.
À luz da lamparina, ela sonha. 'Tem que sonhar mesmo. Sonhar sempre. Um dia vai chegar. Fé em Deus', diz a agricultora.