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domingo, 13 de janeiro de 2013

Por que a desapropriação de terras está parada no governo Dilma?



Da Página do MST
O governo Dilma é o que menos desapropriou imóveis rurais para fazer reforma agrária nos últimos 20 anos.
Reportagem da Folha de S. Paulo, publicada neste domingo, revela que na primeira metade do mandato, 86 unidades foram destinadas a assentamentos.

O número supera só o de Fernando Collor (1990-92), que desapropriou 28 imóveis em 30 meses, comparando ao mesmo período das administrações anteriores desde o governo Sarney (1985-90).
"O governo Dilma é refém dessa aliança com o agronegocio, que é o latifundio modernizado, que se aliou com as empresas transancionais. O governo está iludido pela proteção que a grande midia dá a essa aliança e com os saldos na balança comercial. Mas esquece que esse modelo é concentrador de terra e de renda, desemprega muita gente, desmata o meio ambiente, sobrevive usando cada vez mais venenos agrícolas, que vão se transformar em câncer", disse Alexandre Conceição, da coordenação nacional do MST, em entrevista à Folha.
"O governo Lula e Dilma não são governos do PT nem de esquerda. São governos de uma frente politica de classes que reúne um amplo leque de classes sociais brasileiras. Desde a grande burguesia, o agronegócio, a classe média, a classe trabalhadora, os camponeses e os mais pobres. Essa natureza de composição dá estabilidade política ao governo e amplas margens de apoio na opinião pública, mas impede reformas estruturais, que afetariam os interesses das classes privilegiadas", analisa Alexandre.
Abaixo, leia a íntegra da entrevista concedida pelo dirigente do MST à Folha, que publicou trechos.
Como o senhor avalia o histórico dos números de desapropriações e assentamentos? A quantidade de famílias assentadas e desapropriações vêm caindo desde 2008/2009.
Infelizmente, nos últimos dois anos do governo Lula e agora no governo Dilma, foi abandonada a política de desapropriação de latifúndios. Isso é um desrespeito à Constituição, que determina que todo latifundio improdutivo deve ser desapropriado e dividido para quem quiser trabalhar. Em segundo lugar, a política do governo favorece a concentração da propriedade da terra em todo o país. Os latifundiarios agradecem, embora depois votem nos tucanos, como o mapa eleitoral demonstrou em 2010.

Como o senhor avalia o desempenho da reforma agrária durante a gestão petista, desde 2003?
O governo Lula e Dilma não são governos do PT nem de esquerda. São governos de uma frente politica de classes que reúne um amplo leque de classes sociais brasileiras. Desde a grande burguesia, o agronegócio, a classe média, a classe trabalhadora, os camponeses e os mais pobres.
Essa natureza de composição dá estabilidade política ao governo e amplas margens de apoio na opinião pública, mas impede reformas estruturais, que afetariam os interesses das classes privilegiadas. Assim, nesse tipo de governo, estão bloqueadas não só a Reforma Agrária, mas tambem a reforma tributária, a reforma politica, a reforma do judiciário, a reforma industrial, a reforma urbana e a reforma educacional. O governo não consegue nem aprovar a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, que é uma questão civilizatória e que os países do capitalismo industrial já adotou.

Como o senhor avalia o desempenho do governo Dilma Rousseff nestes dois anos, com apenas 76 imóveis desapropriados?
Uma vergonha! O governo Dilma é refém dessa aliança com o agronegocio, que é o latifundio modernizado, que se aliou com as empresas transancionais. O governo está iludido pela proteção que a grande midia dá a essa aliança e com os saldos na balança comercial. Mas esquece que esse modelo é concentrador de terra e de renda, desemprega muita gente, desmata o meio ambiente, sobrevive usando cada vez mais venenos agrícolas, que vão se transformar em câncer. 500 mil novos casos de câncer aparecem por ano pelos alimentos contaminados. E o cancer é democrático, porque pega todo mundo. É um modelo predador do meio ambiente e só aumenta os índices de desigualdade nos municípios aonde é hegemonico. Perguntem aos prefeitos eleitos se eles querem grandes propriedades exportadoras e isentas de ICMS ou querem um meio rural de agricultura familiar? A história vai cobrar desse governo no futuro. Mas ai será tarde...

Como mudar esse cenário para 2013? O que o MST pretende fazer e o que espera do governo federal?
O MST vai continuar lutando e ocupando os latifúndios improdutivos para forçar as desapropriações e, ao mesmo tempo, costurar alianças que levem a um novo projeto para o país. No entanto, a reforma agrária agora não é apenas o aumento do número de desapropriações. Isso é uma obrigação constitucional. A reforma agrária agora representa a necessidade de mudança do modelo agricola. Deixar o agronegocio de lado e reorganizar a agricultura baseada na produção de alimentos sadios para o mercado interno. Reforma agrária é reorganizar o setor agroindustrial, baseado em cooperativas e não grandes empresas transnacionais como agora. Adotar a matriz tecnologica da agroecologia, preservar o meio ambiente e frear o êxodo rural para as grandes cidades. Mas para isso é preciso um novo projeto para o Brasil. Esse projeto depende da construção de alianças de classe que extrapolam as bases sociais e a força politica dos movimentos camponeses.

sábado, 12 de janeiro de 2013

Os tiros que Dilma dá no próprio pé, por Antonio Dias Leite


POLÍTICA
Na metade do seu governo a presidente Dilma recebe aprovação de elevada proporção da sociedade, devido, principalmente, a ações efetivas no domínio da redistribuição de renda, da redução da pobreza e do pleno emprego, não obstante as dificuldades da herança que a levou à traumática substituição de sete ministros e dirigentes de órgãos autônomos, como o indescritível Dnit, responsável pelo descalabro da infraestrutura rodoviária.
Infelizmente não foi formalizada nova estratégia abrangente de longo prazo. Sucedem-se planos de obras sem muita coerência, incluindo-se aí a vaidade do trem-bala.
Ocorreram intervenções discricionárias nas agências reguladoras e ressuscitou-se antiga tese da condução dos serviços de utilidade pública pela iniciativa privada, mas sem lucro.
Registre-se, contudo, que algumas iniciativas no domínio econômico foram favoravelmente recebidas, com destaque para a busca do realismo cambial e a redução da taxa de juros a níveis civilizados.
Preocupam-me decisões do Poder Executivo que ameaçam o futuro do segmento de energia, vital para uma retomada de desenvolvimento sustentável. Verdadeiros tiros no pé.
No domínio do petróleo decidiu-se alterar o marco regulatório relativo à exploração no mar, que vinha sendo conduzida com sucesso sob liderança da Petrobras. Ao fim do segundo mandato do presidente Lula, foi enviado ao Congresso um complexo conjunto de projetos de lei em torno do pré-sal.
Entre centenas de providências introduziu-se o sistema de partilha entre o Estado e as concessionárias. Atribuiu-se à Petrobras participação obrigatória em todas as parcerias, e criou-se nova empresa estatal para gerir esses contratos.
Estabeleceram-se também novas regras para os royalties que provocaram interminável disputa no Congresso. As licitações foram suspensas, a produção caiu, adiou-se a autossuficiência e a economia nacional sofreu um atraso de pelo menos cinco anos na exploração da nova riqueza.
A segunda decisão, de congelar os preços de derivados desde 2005, atingiu em cheio a integridade da Petrobras como empresa. Retirou-se a sua natural fonte de recursos enquanto se ampliou sua responsabilidade no investimento requerido pelo pré-sal.
No domínio da eletricidade o objetivo declarado do governo, ao editar, em setembro de 2012, a MP 579 foi a redução do preço a partir de 2013, mediante corte de margens financeiras na geração e na transmissão e redução de encargos.
A ideia de redução de preços teve, como não podia deixar de ter, expressiva aceitação. O texto da MP, prolixo e confuso, requereu nova MP corretiva.
Essas medidas tiveram grande impacto na estrutura do sistema elétrico que já estava claudicante em decorrência das sucessivas reformas a que foi submetido.
A Eletrobras, que já perdera grande parte da sua capacidade gerencial, foi profundamente afetada no seu equilíbrio econômico e financeiro e, portanto, na sua possibilidade de liderar procedimentos que criem esperança no futuro.
A insegurança institucional gerada por essas decisões repercutiu negativamente entre investidores, bem como entre aqueles com experiência prática nos serviços de energia elétrica no Brasil, que não se esqueceram do alto custo da falta de energia. Foi o terceiro tiro no pé.
Ao iniciar-se a segunda metade do governo, não obstante a continuidade da aprovação da maioria da opinião publica, amplia-se a probabilidade de insucessos. Excetuadas as ações mais antigas, como as referentes ao petróleo, que já produziram seus resultados negativos, ainda está por vir, no exercício de 2013 e seguintes, a parte negativa das ações no domínio da eletricidade.
Além desses setores-chave, a economia global corre risco, se não houver revisão do enorme elenco de programas de investimento, na sua maioria mal gerenciados e alguns até inexequíveis.
O risco se agrava com recentes imprudências macroeconômicas. Editorial recente do GLOBO (20/12) registrou o temor de uma volta do “modelo Geisel”, que nos levou ao descontrole financeiro e à hiperinflação.

Antonio Dias Leite foi ministro das Minas e Energia e é professor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

SINDIPETRO - A síndrome do edifício doente




    A tendência à construção de edifícios comerciais e administrativos muito fechados, com poucas aberturas para ventilação, e que gastam menos energia tornou-se frequente nas grandes cidades há mais de quatro décadas. A construção destes prédios hermeticamente fechados solucionou o problema do consumo de energia, porém ocasionou drástica redução da captação do ar externo e renovação do ar interno.
A qualidade do ar em ambientes fechados tem sido motivo de pesquisa em todo o mundo. Entretanto, no Brasil, ainda há poucos trabalhos científicos desenvolvidos e uma Legislação ainda insipiente, que não exige com rigor a análise de diversos elementos nocivos aos seres humanos e que podem e estão presentes em ambientes climatizados.
O fato de não haver obrigatoriedade legal de procederem-se estas medições, não deveria ser justificativa para sua não execução, visto que não medir não significa não existir e muito menos não afetar a saúde dos trabalhadores. Apesar disso, os parcos estudos realizados nessa área relacionam os índices de poluição interna aos efeitos adversos à saúde. A qualidade do ar nesses ambientes deve fazer parte da saúde ocupacional.
A OMS (Organização Mundial da Saúde) reconhece a existência da “Síndrome do Edifício Doente” (SED). O diagnóstico da SED é eminentemente epidemiológico. De acordo com a OMS, na ausência de diagnóstico de patologias definidas, o diagnóstico se faz pela ocorrência de dois ou mais sintomas, que se sucedem pelo menos duas vezes na semana, no interior do prédio, e regridem quando a pessoa se afasta do ambiente em questão.
As fontes comuns de contaminantes no ar de interiores incluem, além da própria construção e decoração do ambiente interno, sua renovação e remodelamento. Carpetes, materiais de acabamento, tintas, adesivos, produtos de limpeza e máquinas de escritório liberam contaminantes para o ar interior sob a forma de gases, vapores ou partículas em suspensão.
Meio ambiente
A umidade relativa alta é uma das principais causas de crescimento de ácaros, fungos, esporos e bactérias principalmente se está acompanhada de ventilação reduzida, poucas aberturas e por sistemas de aquecimento com temperaturas elevadas. A importância de sua presença no ar interno está no fato de serem responsáveis por causar inúmeras doenças infecciosas e alérgicas, provocadas por toxinas produzidas pelos microorganismos que crescem nos sistemas de ventilação.
Os principais sintomas apresentados pelos usuários de edifícios com essas características são: Irritação da pele e mucosas ( nariz, olhos ou boca), secura ( boca,olhos, nariz ou garganta), dores de cabeça, cansaço, respiração ofegante, tosse, vertigem e dificuldade de concentração além de apresentarem quadros de repetição de doenças como: sinusite, rinite, otite, amidalite, faringite, bronquite, pneumonia, asma, gripes e resfriados...
A suspeita da existência de uma SED é feita principalmente se: o trabalhador apresenta os sintomas enquanto trabalha ou está no edifício; se apresenta eliminação dos sintomas ao sair do edifício ou trabalhar fora por um momento; se apresenta retorno dos sintomas quando volta ao edifício e pela presença coletiva dos sintomas.


Lílian Alves, medica do Sindipetro-RJ

INFRAESTRUTURA ENERGETÍCA DO DESGOVERNO DO corruPT


Obras da refinaria Abreu e Lima também passam por problemas
Obras da refinaria Abreu e Lima também passam por problemas. Outra energia indispensável é o combustível. A frota de veículos mais do que dobrou em 10 anos. Somos autossuficientes em petróleo, mas precisamos importar cada vez mais gasolina, por falta de refinarias.
Um imenso complexo petroquímico, na região metropolitana do Recife, a Refinaria do Nordeste, A Abreu e Lima, deveria resolver parte do problema. Só podemos mostrar imagens de helicóptero, porque a Petrobras não permitiu o acesso ao canteiro de obras, alegando falta de segurança. Pelo projeto inicial, ela já deveria estar funcionando.
Só que as obras estão com dois anos de atraso. E com essa demora, os custos também se multiplicaram. Em 2005, quando foi aprovado o orçamento para a construção, era de R$ 4,7 bilhões. Em agosto do ano passado, ele foi revisto pela Petrobras para 41,2 bilhões. Um aumento de mais de oito vezes e meia.
Numa cerimônia no ano passado, a presidente da Petrobrás disse que o caso da refinaria deveria ser estudado e nunca mais repetido.
'As razões são muitas. Erros de planejamento, erros de projeto, entrega de equipamento atrasado. Então, tudo isso está colaborando pro preço duplicar, triplicar, multiplicar por 20', disse o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura, Adriano Pires.
Mas a Petrobras diz que houve muitas mudanças no projeto, e não dá para usar o preço inicial como referência.
'É uma referência a um projeto muito diferente do projeto que esta sendo implementado', diz o gerente-executivo de engenharia e abastecimento, Mauricio Guedes.
Segundo a Petrobras, a refinaria terá capacidade para produzir também outros combustíveis com nova tecnologia ambiental.
Então, um projeto diferente, sendo implantado num cenário diferente, num contexto diferente.
Mas o relatório Fiscobrás, editado pelo Tribunal de Contas da União, aponta irregularidades.
A terraplenagem teria sido superfaturada em R$ 90 milhões. Outros cinco contratos têm sobrepreço, ou seja, serão pagos preços muito acima do mercado.
Segundo o TCU, nesses cinco contratos o prejuízo para os brasileiros, todos sócios da Petrobras, chega a R$ 1,380 bilhão. A Petrobras não acatou a recomendação de paralisar as obras e refazer os contratos.
'Paulatinamente, nós temos esclarecido todas as irregularidades ou supostas irregularidades apontadas pelo TCU. E até hoje não existe julgamento sobre nenhuma irregularidade que tenha, em definitivo, sido constatada como tal pelo TCU. Até hoje conseguimos esclarecer a maior parte delas. Tem uma pequena parte que a gente ainda precisa esclarecer. E essa discussão continua', disse o gerente-executivo de engenharia e abastecimento, Mauricio Guedes.
Para especialistas no setor do petróleo, as causas do aumento de custos são muitas.
Abreu e Lima começou errada desde o momento que foi escolher o sócio que foi a PDVSA da Venezuela.
Até hoje a PDVSA não colocou um tostão na obra. No Rio de Janeiro, a Petrobras constrói outro complexo petroquímico, o COMPERJ - também atrasado, e também com indício de sobreço apontado pelo TCU. O contrato de implantação de uma tubovia está R$ 163 milhões acima do preço de mercado.
Um exemplo de falha de planejamento ocupa um grande espaço no porto do Rio. São 13 equipamentos - todos muito grandes e muito pesados para passar nas estradas existentes.
Estão no pátio há um ano e meio, porque não tem como ser transportados até o complexo petroquímico.
Precisam atravessar a Baía de Guanabara, chegar à Praia da Beira, em São Gonçalo.
Mas no lugar não há sinal de obras para construir o píer onde os equipamentos serão desembarcados.
Para ser levados por uma estrada especial - que ainda não existe - até a obra do Comperj.
A Petrobras não informa quanto está pagando pelo espaço ocupado no porto. Mas o Fantástico apurou que esse valor está na casa dos milhões de reais.
Parques eólicos estão com hélices paradas no Nordeste
A 2,6 mil quilômetros, no sertão da Bahia, há outro exemplo de desperdício. No lugar, o recurso abundante é o vento. Basta ver as árvores, que crescem curvadas. E, nas serras da região de Caetité, torres com turbinas eólicas, que poderiam gerar energia limpa e barata, brotam às centenas sobre a caatinga.
O Nordeste já tem instalados e prontos para funcionar parques com capacidade para abastecer uma cidade do tamanho de Brasília. Mas as hélices estão paradas. E não por falta de vento.
Os parques ficaram prontos em julho, bem a tempo de ajudar o Brasil a enfrentar o período das secas, quando os reservatórios das hidrelétricas ficam mais baixos. Só que até agora nem um kilowatt produzido no lugar entrou na rede. Simplesmente porque as linhas de transmissão, que deveriam entregar a energia de lá até o sistema, não foram construídas.
Várias empresas privadas investiram R$ 1,2 bilhão nos parques eólicos.
'Enquanto isso não é escoado, os parques têm que ficar parados. Tem uma manutenção especial, custosa, pra poder manter a máquina que foi feita pra girar, ela ficar parada', disse o diretor presidente da Renova Energia, Mathias Becker.
Por contrato, como terminaram a construção no prazo, as empresas estão recebendo do governo pela energia que poderiam gerar R$ 33,6 milhões por mês. De julho a outubro, foram R$ 134,4 milhões. E, segundo a Aneel, deve passar dos R$ 440 milhões até setembro, quando as primeiras linhas deverão ficar prontas. Esse dinheiro sai da sua conta de luz.
Cabos enrolados no local indicam literalmente um fim de linha. Toda a energia produzida pelos parques eólicos da região já poderia chegar até o lugar. Bastaria os cabos cruzarem a estrada pra chegar a uma subestação que deveria ter sido construída em um terreno onde o mato ainda está crescendo. Do ponto mostrado em vídeo até a linha principal pra se conectar ao sistema nacional, são 120 quilômetros. Só que as obras ainda nem começaram.
A responsável pela linha é a Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf). O diretor de engenharia da empresa diz que a culpa é da demora nos licenciamentos ambiental e do patrimônio histórico. Mas a Aneel entendeu que a Chesf geriu mal os prazos, e multou a empresa em R$ 12 milhões - o que dá menos de 10% do prejuízo acumulado até agora.
A Aneel informa que vai cobrar esse dinheiro da Chesf.
Fantástico: A Chesf é também uma empresa pública?
'A Chesf é uma empresa de economia mista', disse o diretor de Engenharia e Construção da Chesf, José Aílton de Lima.'
Fantástico: Com maioria controladora do poder público. O contribuinte brasileiro. Se a Aneel ou a Chesf pagarem o prejuízo, de qualquer maneira o prejuízo sai do consumidor.
'De Todo jeito. Se fosse privada também. Quem paga a conta é sempre o consumidor de qualquer jeito. No momento em que a energia não tiver lá, não tiver saindo da usina, o consumidor vai estar pagando', disse o diretor.
Especialistas apontam as linhas de transmissão como o ponto crítico do sistema elétrico brasileiro hoje.
'Quando hoje nós observamos alguns apagões aqui e ali, isso quer dizer subinvestimento nas redes, subinvestimento na rede de transmissão. Não adianta você ter geração e ter distribuição se você não tem aquele meio que é a transmissão de energia', explica o especialista em infraestrutura Cláudio Frischtak.
No Brasil inteiro, 58 linhas de transmissão estão com as obras atrasadas em pelo menos quatro meses; 21 são de responsabilidade da Chesf. Em outras cinco a Chesf faz parte do grupo construtor.
Repórter: a empresa não tentou dar um passo maior que a perna? Ou pegar muitas concorrências, muitos leilões sem conseguir entregar as obras?
Diretor da Chesf, José Aílton de Lima: 'A empresa que não tentar dar um passo maior que a perna não é uma empresa, é outra coisa. Toda empresa que se preza dá um passo maior que a perna. E nós vamos continuar dando passo maior do que a perna. Isso pra mim não é problema.'
Neste momento, o Brasil não pode desprezar energia. Está usando todas as usinas térmicas, por causa dos reservatórios baixos nas hidrelétricas.
Sobre o risco de apagão que o Brasil corre, Cláudio Sales, presidente do Instituto Acende Brasil, afirma: 'Depende de que horizonte você está olhando. Se você olhar a realidade hoje, não. Hoje não estamos correndo esse risco de maneira dramática como corremos por exemplo em 2008. Mas se olharmos pra frente, supondo que o Brasil volte a crescer a taxas que todos desejamos, então nós temos que olhar pros problemas que estão acontecendo como indicadores de que há um risco, sim', disse o presidente do Instituto Acende Brasil, Cláudio Sales.
'No momento eu diria que a gente não corre o risco de falta de energia. O risco que a gente corre é dessa energia ser progressivamente muito cara', diz o ex-presidente da Eletrobrás, José Luiz Alquéres.
A poucos quilômetros de Caetité, no sertão da Bahia, bem perto das usinas eólicas paradas, mais uma noite chega escura para a agricultora Maria Lúcia Silva Santos.
'Eu sento aqui na calçada de noite no escuro sozinha, só mais Deus, olhando. A gente já acostumou. Tudo no escurinho. Tem vez que a tem lamparina. Tem vez que não tem. Não tem nem pra comprar o óleo para colocar nela. Fazer o quê? Não tem novela, porque não tem energia', conta a agricultora.
A eletricidade ainda não chegou a mais de um milhão de lares no brasil. A agricultora Maria Lúcia não tem o dinheiro para puxar os fios, a 500 metros de casa.
Ela conta o que vai querer colocar em casa, quando tiver energia: 'Só uma geladeira pra guardar as comidinhas. Às vezes, sobra um pouquinho que tem que botar na geladeira. Por que a gente não tem a geladeira, sobrou tem que jogar fora'.
À luz da lamparina, ela sonha. 'Tem que sonhar mesmo. Sonhar sempre. Um dia vai chegar. Fé em Deus', diz a agricultora.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Os 12 profissionais mais escassos no mercado


Empresas aguardam até 120 dias para encontrar um candidato qualificado 


  • RIO - A longa espera por um profissional qualificado parece que chegou de vez ao departamento de Recursos Humanos das empresas brasileiras. Hoje, há mais procura de candidatos do que oferta de profissionais, cenário até pouco tempo quase que improvável no Brasil, afirma Roberto Picino, diretor-executivo da Page Personnel, empresa de recrutamento especializado em profissionais técnicos e de suporte de gestão. Segundo a Page Personnel, a busca por um profissional qualificado pode demorar até 120 dias, tempo necessário, por exemplo, para recrutar um vendedor técnico.
  • “A escassez de mão de obra no mercado nacional passa por todos os segmentos e atinge diretamente o nível de produtividade das empresas. Atualmente, o processo de recrutamento está mais longo e exige um nível de exigência e conhecimento das consultorias para encontrar o candidato certo. Hoje, a busca por profissionais é mais demorada do que ocorria há três anos”, explica Picino.
  • Abaixo, listamos a relação dos profissionais mais escassos no mercado, com o salário médio, tempo médio para recrutamento e perfil adequado para a vaga, de acordo com levantamento da Page Personnel:
— Supervisor de produção:
Tempo médio de recrutamento: 30 a 60 dias
Salário médio: R$ 6,5 mil a R$ 9 mil
Perfil necessário para a vaga: o profissional precisa entender da cadeia de produção, unir o lado lógico e o humano para que consiga lidar com a gestão de pessoas. O supervisor deve garantir que haverá matéria-prima suficiente para a produção e minimizar os gargalos que venham a surgir garantindo a eficiência e reduzindo custos de produção. Algumas empresas requerem profissionais especializados em seu segmento e em uma determinada área, como também empresas que seguem a linha multiprofissional, ou seja, buscam profissionais que entendam de diversas áreas e segmentos.
— Técnico de campo (manutenção eletromecânica):
Tempo médio de recrutamento: 30 dias
Salário médio: R$ 3 mil a R$ 4 mil
Perfil: o técnico de campo é um dos profissionais mais requisitados em empresas de máquinas, equipamentos e serviços. Ele é responsável pela manutenção (elétrica, mecânica e em automação) dos equipamentos e linhas de produção nos clientes da empresa a qual trabalha. A maior dificuldade é encontrar profissionais com conhecimento nas três áreas e com total disponibilidade para viagens frequentes.
— Consultor em engenharia:
Tempo médio de recrutamento: 60 dias
Salário médio: R$ 3 mil a R$ 8 mil
Perfil: profissional muito requisitado por conta do conhecimento técnico na área específica da consultoria. A maior dificuldade é encontrar um profissional com esse conhecimento específico e que apresente um perfil dinâmico e agressivo de consultoria, além da disponibilidade de viagens.
— Vendedor de contas sênior:
Tempo médio de recrutamento: 60 a 90 dias
Salário médio: R$ 4.500 a R$ 6.000 + comissões mensais
Perfil: gestão de carteira de clientes de grandes redes. Responsável pela negociação de contratos com compradores. Definição e implementação de ações promocionais com o objetivo de melhorar exposição dos produtos nas redes e incremento de vendas. Gestão de custos, rentabilidade e volume de vendas. Inglês fluente e boa penetração nas grandes redes de supermercado.
— Analista de gestão de receitas (revenue management):
Tempo médio de recrutamento: 60 a 90 dias
Salário médio: R$ 3.000 a R$6.000
Perfil: responsável pela gestão de receitas nas operações de vendas, gestão de preços, margem e investimentos de trade, construção e análise de P&L e dados de vendas. Elaboração de relatórios gerenciais, cruzando informações financeiras da empresa com informações de mercado. Analisar custos e despesas por produto e canal de vendas, antecipando necessidades de ações de preço ao mercado.
— Analista de inteligência de mercado:
Tempo médio de recrutamento: 60 a 90 dias
Salário médio: R$ 5.000 a R$ 6.500
Perfil: Municiar as áreas de marketing e vendas com informações referentes aos mercados, levantando e analisando situação da concorrência, movimentações estratégicas e novos players em potencial. Analisar o posicionamento estratégico da empresa, apontando eventuais possibilidades de obtenção de vantagem competitiva. Elaborar relatório mensal de performance de vendas da empresa frente aos concorrentes, com base em informações de mercado.
— Analista de gerenciamento - categoria sênior
Tempo médio de recrutamento: 90 dias
Salário médio: R$ 5.200 a R$ 7.000
Perfil: gerar informações sobre o consumidor e as novas práticas de mercado visando à melhoria dos planos de ação de gerenciamento por categoria. Desenvolver planogramas (estratégia de exposição e organização das marcas nos diferentes canais de vendas) direcionados por canais e regiões. Desenvolver os processos internos referentes ao gerenciamento de categorias, coordenando e suportando a equipe de vendas na elaboração do plano da categoria. Avaliação do desempenho do cliente e mercado, estratégias e táticas para a categoria (Preço, promoção, espaço e mix). Acompanhar a evolução dos produtos, share, distribuição, preço e posicionamento da marca. Acompanhar efetivamente as ações da concorrência e gerar ações que auxiliem a minimizar ou bloquear o seu possível impacto. Contribuir para o desenvolvimento de parcerias com os clientes, visando aprimorar o relacionamento comercial.
— Analista de marketing digital / e-commerce:
Tempo médio de recrutamento: 60 a 90 dias
Salário médio: R$ 4.500 a R$ 5.500
Perfil: liderar projetos digitais com desenvolvimento e administração de conteúdo de websites de e-commerce, campanhas de mídia on-line. Geração e análise de relatórios de métricas on-line, com foco no resultado e usabilidade do websites, a partir de ferramentas como Google Analytics.
— Planejamento e demanda (Demand planning):
Tempo médio de recrutamento: 60 dias
Salário médio: R$ 4 mil a R$ 8 mil
Perfil: o profissional precisa de uma visão geral da cadeia de supply chain. Forte interface com produção, logística e comercial — tanto vendas quanto compras. O profissional deve gerar a previsão de vendas de determinado produto / linha de produtos baseado em fatores como histórico de vendas, previsão de demanda, nível de estoque e sazonalidade, entre outros. As empresas buscam profissionais analíticos o suficiente para ter a previsão mais assertiva, assim como estratégicos para acompanhar as alterações no plano e gerar resultados mais próximos da realidade. O idioma inglês acaba sendo exigido em mais de 90% dos casos.
— Projetos logísticos:
Tempo médio de recrutamento: 90 dias
Salário médio: R$ 4,5 mil a R$ 9 mil
Perfil: o profissional de projetos logísticos está inserido em operadores logísticos, varejo ou indústria. Como operador logístico, tem que ter uma visão ampla de processos já que lida com segmentos diversos, com urgências e particularidades distintas. As atividades poderão ser voltadas tanto para o dimensionamento / planejamento, implementação ou melhoria do projeto.
— Compras estratégicas ( Strategic sourcing ):
Tempo médio de recrutamento: 45 a 60 dias
Salário médio: R$ 4 mil a R$ 8 mil
Perfil: o profissional de Strategic Sourcing traz uma visão estratégica para a área de compras. Perfil comercial arrojado, com forte habilidade de negociação. Visão macro do processo de supply chain, além de trazer novas alternativas para o negócio, considerando custo-benefício, melhor qualificação de fornecedores, savings entre outros fatores. Este profissional é peça estratégica, pois movimentará a cadeia de suprimentos, otimizando o fluxo do processo e trazendo melhorias de qualidade, custos, entre outros. As empresas buscam por perfis com visão ampla e estratégica do mercado fornecedor, econômico, financeiro etc. Fluência em inglês é fundamental.
—Vendedor técnico / área de cosmética:
Tempo médio de recrutamento: 90 a 120 dias
Salário Médio: R$ 6 mil a R$ 7 mil
Perfil: formação em química ou engenharia química com experiência comercial no mercado cosmético. Gestão de carteira de clientes no segmento cosmético, prospecção de novas contas, venda consultiva e participação de feiras e eventos do setor.

domingo, 6 de janeiro de 2013


Manual para 2013

Saúde:
1.  Beba muita água
2.  Coma mais o que nasce em árvores e plantas, e menos comida produzida em fábricas;
3.  Viva com os 3 E's: Energia, Entusiasmo e Empatia;
4.  Arranje tempo para orar;
5.  Jogue mais jogos;
6.  Leia mais livros do que leu em 2012;
7.  Sente-se em silêncio pelo menos 10 minutos por dia;
8.  Durma 8 horas por dia;
9. Faça caminhadas de 20-60 minutos por dia, e enquanto caminha sorria.
Personalidade:
11.  Não compare a sua vida a dos outros. Ninguém faz idéia de como é a caminhada dos outros;
12.  Não tenha pensamentos negativos ou coisas de que não tenha controle;
13.  Não se exceda. Mantenha-se nos seus limites;
14.  Não se torne demasiadamente sério;
15.  Não desperdice a sua energia preciosa em fofocas;
16.  Sonhe mais;
17.  Inveja é uma perda de tempo. Tem tudo que necessita....
18.  Esqueça questões do passado. Não lembre seu parceiro dos seus erros do passado. Isso destruirá a sua felicidade presente;
19.  A vida é curta demais para odiar alguém. Não odeie.
20.  Faça as pazes com o seu passado para não estragar o seu presente;
21.  Ninguém comanda a sua felicidade a não ser você;
22.  Tenha consciência que a vida é uma escola e que está nela para aprender. Problemas são apenas parte, que aparecem e se desvanecem como uma aula de álgebra, mas as lições que aprende, perduram uma vida inteira;
23.  Sorria e gargalhe mais;
24.  Não necessite ganhar todas as discussões. Aceite também a discordância;
Sociedade:
25.  Entre mais em contato com sua família;
26.  Dê algo de bom aos outros diariamente;
27.  Perdoe a todos por tudo;
28.  Passe tempo com pessoas acima de 70 anos e abaixo de 6;
29.  Tente fazer sorrir pelo menos três pessoas por dia;
30.  Não te diz respeito o que os outros pensam de você;
31. O seu trabalho não tomará conta de você quando estiver doente. Os seus amigos o farão. Mantém contato com eles.
A Vida:
32.  Faça o que é correto;
33.  Desfaça-se do que não é útil, bonito ou alegre;
34.  DEUS cura tudo;
35.  Por muito boa ou má que a situação seja.... Ela mudará...
36.  Não interessa como se sente, levanta, se arruma e aparece;
37.  O melhor ainda está para vir;
38.  Quando acordar vivo de manhã, agradeça a DEUS pela graça.
39.  Mantenha seu coração sempre feliz

Eletrobras perde R$16,86 bilhões em valor de mercado, queda de 63,57%


Juntas, empresas do setor elétrico perderam R$36 bilhões em 2012

Por Maria Domingues
Crédito: Creativ Studio Heinemann
A Eletrobras perdeu R$16,860 bilhões em valor de mercado entre 2011 e 2012, o que representa uma retração de 63,57%. A companhia valia R$ 26,524 bilhões em 31 de dezembro de 2011, valor que foi drasticamente reduzido para R$ 9,664 bilhões no último dia de 2012. Os dados constam em estudo da Economática, divulgado nesta quinta-feira (03/01), que avaliou 302 empresas brasileiras de capital aberto.
No ranking das empresas que registraram as maiores desvalorizações, a Eletrobras aparece em terceiro lugar, atrás apenas da Petrobras e da OGX. Percentualmente, a estatal do setor elétrico obteve a segunda maior desvalorização, ficando atrás apenas da empresa de petróleo e gás do bilionário Eike Batista, que perdeu 67,82% no ano.
Entre as dez mais, aparecem ainda outras quatro empresas do setor elétrico. São elas: CPFL Energia, em quarto lugar, com queda de R$25,038 bilhões para R$20,593 bilhões (-17,75%); Cesp, de R$10,201 bilhões para R$6,027 bilhões (-40,92%); AES Eletropaulo, de R$6,613 bilhões para R$2,811 bilhões (-57,49%); e da Ampla Energia, de R$7,335 bilhões para R$4,432 bilhões (-39,58%).
Segundo a Economática, as empresas do setor elétrico perderam juntas R$36 bilhões em valor de mercado. Trata-se do segundo grupo mais atingido em 2012, atrás apenas do de petróleo e gás, cujo recuo foi de R$68,9 bilhões.
Sem recuperaçãoAnalistas consultados pelo Jornal da Energia não acreditam que as ações do setor reajam em 2013. Além dos efeitos da Medida Provisória 579, que dispõe sobre a renovação das concessões vincendas até 2017 e da redução da tarifa de energia elétrica, também contribuíram para as perdas do setor os efeitos do terceiro ciclo de revisão tarifária, que atingiram em cheio as ações das empresas distribuidoras

PLD explode e ultrapassa patamar de R$ 550 por MW/h


Reservatórios encontram-se em níveis críticos e as previsões de chuvas não são nada otimistas

Por Fabíola Binas, Maria Domingues e Natália Bezutti
Crédito: gettyimages
O Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) ultrapassou a casa de R$ 550 para o período válido até o dia 11 de janeiro, conforme dados divulgados pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). O valor está próximo do patamar recorde de 2008, quando o PLD atingiu R$ 569,59, o preço teto para a ocasião.
Atualmente o valor máximo para o PLD é de R$727,52, segundo informações da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Analistas consultados pelo Jornal da Energia não dizem se o patamar máximo poderá ser atingido novamente, mas afirmam que a situação crítica dos reservatórios hidrelétricos, por conta das previsões pouco otimistas de chuvas, já apresentam situação semelhante a de períodos em que o país apresentou dificuldades no abastecimento de energia.
Como o modelo de previsões de chuvas/vazões influencia diretamente na formação de preço da energia do mercado de curto prazo, o momento é de apreensão entre os agentes.
O diretor da Safira Energia, Mikio Kawai comentou que a situação é a continuação de uma tendência que começou em março do ano passado, quando também houve um período mais seco do que o esperado. Kawai explica que, com praticamente toda capacidade instalada das usinas térmicas sendo despachadas, mais a previsão de chuva irregular, o setor deve estar atento. “Requer muita atenção, pois só tivemos esses níveis de preço em 2008 e no período pré-racionamento de 2001”, lembrou Kawai ao alertar que isso pode trazer prejuízo os consumidores livres. Para o executivo os agentes do setor devem se concentrar na questão, a fim de contorná-la a tempo.
Um analista de investimentos de um grande banco estrangeiro, que pediu para não ser identificado, afirmou que existe uma preocupação no mercado com relação ao nível dos reservatórios. "As previsões meteorológicas indicam falta de chuvas, especialmente no submercado Sudeste-Centro Oeste, onde estão localizados 70% dos reservatórios das hidrelétricas", disse.
Apesar do quadro, que aponta para a manutenção do PLD em níveis elevados, o analista acredita que o sistema tem "salvaguarda" nas térmicas para enfrentar esse cenário. "Em 2001 existiam poucas térmicas e poucas linhas de transmissão para fazer o intercâmbio de energia. Em 2008, o modelo com as térmicas foi testado. Naquela ocasião houve o problema de falta de gás porque não existiam tantas ramificações dos gasodutos da Petrobras. O combustível ainda não chega em todas as partes do Brasil, mas o problema foi minimizado", disse.
O analista acredita que o Governo Federal poderá continuar apostando em reforços locais, como fez no caso do Rio Grande do Sul. Na última semana de dezembro, foi aprovada a reativação da UTE Uruguaiana (639MW). O gás, neste caso, será importado da Argentina.
Estatísticas 
Agentes do mercado que estudam o comportamento das ENAs (Energia Natural Afluente) se dizem muito apreensivos. Um deles, teve a preocupação em analisá-las entre os conjuntos de anos 1998/1999/2000, 2006/2007/2008 e 2011/2012/2013 para os submercados Sudeste Centro Oeste, Sul e Nordeste, que foram períodos de dificuldade de abastecimento, sendo que no primeiro houve o racionamento.
Para esse agente, o que mudou desde lá foi o volume de carga (que aumentou significativamente), sendo que os reservatórios do Sudeste hoje (28.90%) estão piores que na transição de 2007/2008 (46,17%) e iguais aos do período de racionamento (28,90%).
“A diferença é que temos mais reforço no intercâmbio entre as regiões. Mas o sistema não é blindado e uma prova disso são os blecautes já observados. Já a disponibilidade de térmicas que seria a segunda opção já está acionado desde 2012”, analisou ao questionar se existe hoje uma terceira via de solução que, para ele, poderiam ser as alternativas de barcaças de GNL com usinas a bordo ou uma possível interconexão com a Venezuela (interligação Manaus- Boa-Vista), que reforçariam o acionamento da térmica de Uruguaiana. 

Vale lembrar que hoje a Climatempo divulgou um analise de que os reservatórios das hidrelétricas nas regiões Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste, encerram próximos do limite para o abastecimento de energia nestas regiões, sendo que não houve melhora, sequer com o dezembro mais chuvoso da história da cidade de São Paulo (397,6 milímetros).
Para se ter uma ideia, dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), dão conta de que o Nordeste fechou dezembro com 32,2% de sua capacidade (o limite mínimo para a região é 34%), enquanto o Sudeste/Centro-Oeste terminou o ano com apenas 28,8 % (0,8% acima da linha de risco).

Reflexão para 2013!!!!!?????



Depois de algum tempo, você aprende a diferença, a sutil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas. E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.

E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão. Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo. E aprende que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam... E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la, por isso. Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.

Descobre que se levam anos para se construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que você pode fazer coisas em um instante das quais se arrependerá pelo resto da vida. Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida. E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher. Aprende que não temos que mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam, percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos.

Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa, por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vejamos. Aprende que as circunstâncias e os ambientes tem influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos. Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que pode ser. Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto. Aprende que não importa onde já chegou, mas onde está indo, mas se você não sabe para onde está indo, qualquer lugar serve. Aprende que, ou você controla seus atos ou eles o controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados.

Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências. Aprende que paciência requer muita prática. Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute quando você cai é uma das poucas que o ajudam a levantar-se.

Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários você celebrou. Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha. Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens, poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.

Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel. Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame, não significa que esse alguém não o ama, contudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.
Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem que aprender a perdoar-se a si mesmo. Aprende que com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado. Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte. Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás.

Portanto... plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores. E você aprende que realmente pode suportar... que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida!"

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

TRABALHO, APRENDIZADO E LIBERDADE


“Gostaria de ter mais tempo para trabalhar. Mas não tenho tempo livre...”

Gostaria de perguntar-lhe: o que é trabalho realmente desejado? Talvez possamos começar por sua experiência pessoal e sua carreira de duas faces, na linguística e no ativismo político? Você gosta de trabalhar assim?

Se tivesse tido tempo, teria trabalhado muito mais sobre linguagem, filosofia, ciências da cognição, tópicos intelectualmente muito interessantes. Mas grande parte de minha vida é ocupada hoje noutro tipo de atividade política: ler, escrever, organizar eventos, ativismo em termos gerais. É trabalho necessário, vale a pena, mas não é atividade que realmente estimule o intelecto e obrigue a pensar forte. Em relação a assuntos humanos, das duas uma: ou não compreendemos coisa alguma, ou só compreendemos superficialmente. É trabalho duro pesquisar informações, reunir, sim; é duro, mas não é intelectualmente desafiador. Faço, porque é necessário. 

O trabalho ao qual dedicar a parte principal da vida é o trabalho que você continuaria a querer fazer mesmo que deixasse de ser pago. É trabalho inventado por necessidade, interesse e preocupações interiores, subjetivas.

O filósofo Frithjof Bergmann diz que a maioria das pessoas não sabem que tipo de atividades realmente desejam ter. Chama a isso “miséria do desejo”. Entendo e parece-me bem verdade, quando converso com vários dos meus amigos. Você sempre soube o que queria fazer?

Aí está um problema que nunca me apareceu: sempre desejei fazer muitas coisas. Também duvido de que essa “miséria do desejo” seja problema muito generalizado. Um marceneiro, por exemplo... Pessoalmente, não sou bom com ferramentas. Mas considere alguém capaz de construir objetos, de consertar coisas; os que conheço desejam realmente fazer o que fazem. Adoram fazer o que fazem: ‘se há problema, eu conserto.’ Ou o esforço físico – também pode ser muito gratificante. Se o seu trabalho é mandar, sim, pode ser difícil, se você for muito tímido, não gostar de mandar, ou se tem de mandar fazer coisas contra o seu interesse. Mas se você é pago para mandar fazer coisas ditadas pelo seu próprio desejo ou seus interesses, mandar pode ser excitante, interessante, prazeroso. 

O que quero dizer é que há muita gente que procura o que fazer – é trabalho, claro. Jardinagem, por exemplo. Se você teve uma semana difícil, as crianças correm pela casa, sim, você deitar e dormir; mas será mais prazeroso se for trabalhar no jardim, ou construir alguma coisa, ou fazer ‘alguma coisa’. 

Essa percepção é muito antiga, e não é invenção minha. Wilhelm von Humboldt, que é autor de alguns dos trabalhos mais interessantes sobre isso, escreveu que, se um artesão produz um belo objeto por encomenda, nós até admiramos a beleza do objeto, mas desprezamos o artesão que trabalha como ferramenta nas mãos de quem lhe faz encomendas e paga. Mas se o mesmo artesão cria o mesmo objeto apenas porque quis criá-lo, admiramos, além do objeto, também o artista; e o artista, nesse caso, sente-se realizado, o que é prazeroso. 

É mais ou menos como aprender na escola – creio que todos já tivemos essa experiência: se se estuda exclusivamente para uma prova, claro, é ótimo passar de ano, mas, duas semanas depois tudo aquilo que ‘aprendemos’ estará esquecido. Mas se você pesquisa e estuda alguma coisa porque deseja realmente entender, você mesmo concebe os testes, você erra e refaz tudo, procura no lugar errado, mas não desiste de encontrar; e, ainda que não consiga chegar aonde desejava, o que você fez e tentou, isso, você não esquece tão facilmente.

Então, você está dizendo que as pessoas, basicamente, sabem o que querem fazer?

Sim, sob circunstâncias favoráveis. As crianças são naturalmente curiosas – querem saber sobre tudo, querem explorar tudo; na maioria das vezes, dão com a cabeça no chão. Então são postas em estruturas de disciplina, as coisas são organizadas para que façam umas coisas, não outras, de modo a que você aprenda umas coisas, não outras. Por isso tantas escolas são entediantes. Não significa que não haja escolas excitantes. 

Até mais ou menos 12 anos, frequentei uma escola Deweyiana. Era ótima. Eu tinha vontade de ir para a escola, queria ficar lá. Não havia classes, nem provas para ‘passar de ano’. Cada aluno era orientado de modo a conseguir fazer o que tivesse vontade de fazer. Havia, claro, estrutura, mas, basicamente, o aluno podia seguir seus próprios interesses e preocupações e, mesmo assim, trabalhava com outros. 

Pessoalmente, nunca nem tive ideia de que era um ótimo aluno, até chegar à universidade. Fui para um ginásio pré-universitário no qual todos eram avaliados e classificados, e era indispensável passar à universidade, portanto, havia exames de seleção. Na escola primária, de fato, eu ‘pulei’ um ano, mas ninguém deu qualquer importância. A única coisa que eu sempre soube é que eu era o menor da classe. 
Mas não era grave nem importante. 

No pré-universitário, tudo mudou completamente: você tinha de ser o primeiro da classe. O segundo lugar não interessava. É ambiente muito destrutivo – que empurra as pessoas para a situação na qual você realmente não sabe o que deseja fazer. Aconteceu comigo; no pré-universitário perdi completamente o interesse por estudar. Se se olha a grade de estudos, sim, tudo parecia interessante, grandes cursos... Mas acabei por descobrir que o curso pré-universitário era um ginásio, para alunos mais velhos. Depois de um ano, eu só pensava em parar de estudar, não queria nem me aproximar da universidade. Minha vida acadêmica é uma sequência de acasos. 

Ainda estava no pré, quando um dos professores da faculdade sugeriu que eu assistisse às aulas dele. Depois desse curso, comecei a fazer outros cursos. Mas não completei, até hoje, nenhum curso que me habilite a dar aulas em universidade. Por isso dou aulas no MIT, que não exige qualquer qualificação acadêmica além da qualificação no próprio Instituto.

O que quero dizer é que educação, ou é assim ou é sempre extremamente alienante. Vejo pelos meus netos ou os círculos nos quais vivem. São crianças que absolutamente não sabem o que querem fazer, então fumam maconha, ou bebem, ou enchem o dia arquitetando meios para escapar da escola ou outras atividades antissociais. Porque são criaturas cheias de energia, deixadas sem nenhuma atividade que realmente mobilize suas emoções, seu desejo e sua energia. Nos EUA é assim, não sei como é na Áustria [1], mas, nos EUA, até o conceito de brincar mudou. Vejo, onde moro. Minha mulher e eu nos mudamos para cá, porque era bom para as crianças – menos tráfego, muitas árvores, as crianças podiam brincar na calçada. As crianças passavam o dia todo na rua, nas bicicletas, o que fosse. Hoje, as crianças não saem de casa. Dentro de casa, não saem de frente da tela, dos videogames, ou coisas dessas, sempre em atividades organizadas para elas: esportes organizados por adultos, coisas assim. A ideia de brincadeiras espontâneas, que as crianças organizavam, parece ter sumido ou, pelo menos, diminuiu muito. Há estudos sobre isso. Vi alguns, dos EUA e Inglaterra, e não sei se é verdade também em outros locais, mas a brincadeira infantil proposta pelas crianças, isso, mudou muito, com outras mudanças sociais pelas quais passa o mundo. Acho ruim, porque sem inventar, os instintos criativos não florescem. O que se aprende num jogo de rua, com tacos feitos com cabo de vassoura, não se aprende em torneios organizados da Liga Infantil, todos uniformizados... 

Às vezes, é surreal. Lembro quando meu neto, dez anos, jogava baseball, em vários times pela cidade: onde houvesse jogo, lá estava ele. Até que, um dia, ele voltou para casa desconsolado, porque fora proibido de jogar... As novas regras ‘da cidade’ obrigavam os times a manter jogadores ‘estáveis’, jogadores de um time, não podiam jogar nas outras equipes... Não sei se vc conhece baseball, mas a coisa é simples: três jogadores fazem todo o serviço; o resto da equipe só completa o número mínimo. Pois as regras proibiam que uma equipe emprestasse a outra um atleta que só teria de ficar sentado lá, fazendo número.

O absurdo é total, mas é exatamente o que acontece hoje. Vale nas escolas, claro. A grande inovação educacional do governo Obama foi “nenhuma criança deixada para trás”. Nas escolas, nada significa além de professores treinados para treinar crianças para serem aprovadas em testes, e professores avaliados pelo número de ‘aprovações’ que os alunos obtêm nos exames de seleção. Converso com muitos professores. Todos contam histórias semelhantes. Uma criança que se interesse por algo não previsto no ‘programa’, logo ouve o ‘conselho’: não pode ser, porque, assim, você não passará nos exames de seleção. De fato, é uma antieducação, é o contrário de educar.

Os EUA tiveram o primeiro sistema de educação em massa do mundo (muito antes da Europa). Mas, se você analisa o sistema aqui implantado no final do século 19, foi planejado para converter pequenos agricultores independentes em operários de fábrica perfeitamente disciplinados. Até hoje, grande parte da educação mantém-se nessa linha. Às vezes, é objetivo declarado. 

Se vc não conhece, dê uma olhada num livro intitulado The Crisis of Democracy[1] – publicação de uma “comissão trilateral” – nada além de liberais internacionalistas da Europa, Japão e EUA, a direita da elite intelectual.[2] Daí saiu todo o governo de Jimmy Carter. O livro manifestava a preocupação da direita liberal com o que acontecera nos anos 1960s. E, ora! O que acontecera nos anos 1960s era democrático demais, muito ativismo, jovens nas ruas, experimentando, testando novas ideias; o livro chama esse período de “tempo de confusões”. 

A ‘confusão’, de fato, é que, ali, os EUA estavam sendo civilizados: dali saíram leis de direitos civis, de igualdade para as mulheres, de atenção ao meio ambiente, os movimentos pacifistas, antiguerra, antiviolência. 

Os EUA se tornaram país mais civilizado, mas o processo preocupou muita gente, porque as pessoas estavam conseguindo escapar ao controle. Tudo fora feito para os norte-americanos sermos gente passiva e apática, que faz o que é mandada fazer, que aceita ordens dos homens e mulheres sérios que mandam no país. É a ideologia das elites, em todo o espectro político: as pessoas são estúpidas demais, ignorantes demais; então, para protegê-las delas mesmas... nós temos de controlá-las. Essa ideologia, precisamente, estava ruindo nos anos 60s. 

Aquela ‘comissão trilateral’, então, publicou o tal livro, para tentar induzir o que foi chamado de “democracia moderada” – empurrar as pessoas outra vez para a obediência e a passividade, para que não criassem dificuldades para o poder do estado, e tal e tal.

O que mais preocupava a tal comissão eram os mais jovens – as instituições responsáveis pela doutrinação dos mais jovens (é a expressão que se usa no relatório); falavam, claro, de escolas, universidades, igreja... Que não estavam trabalhando corretamente; por isso, os jovens não estavam sendo adequadamente doutrinados. E estavam sentindo-se livres para ter ideias, tomar iniciativas, cuidar do que mais lhes interessasse. Não podia ser. Era necessário reassumir o controle.

Se se analisa o que aconteceu depois de 1975, várias medidas foram implantadas para impor disciplina. Um exemplo simples: o aumento nas taxas universitárias – vale mais para os EUA do que noutros países, mas, nos EUA, essas taxas já chegam à estratosfera. Os preços, em parte, restringem a uma só classe o acesso à universidade, mas, mais que isso, impõem aos jovens o peso de uma dívida gigantesca, impagável, sem estrita disciplina, que empurre o jovem para uma ‘carreira’. Se você sai da universidade endividado até o pescoço, você não é livre para fazer o que queira fazer. Vc talvez sonhasse em trabalhar como advogado de uma organização popular... Mas você será obrigado a trabalhar para uma grande empresa de advocacia privada. É grave. E há muitas outras coisas assemelhadas. 

A guerra às drogas foi inventada, principalmente, pela mesma razão: a guerra às drogas também é um sistema de disciplinamento, um modo de assegurar que as pessoas sejam mantidas sob controle. Não tenho dúvidas de que tenha sido conscientemente concebida para essa finalidade... Por isso é como é.

A ideia da liberdade é muito assustadora para os que gozem de qualquer grau de privilégio e poder. Acho que se vê isso também no sistema educacional. E nos locais de trabalho. Há um estudo muito interessante, de um pesquisador que, infelizmente, não pôde continuar seu trabalho, porque não foi recontratado, que examinou muito atentamente o desenvolvimento de máquinas controladas por computador – que começaram a ser desenvolvidas nos anos 1950s, em projeto para os militares, os quais, de fato, desenvolveram protótipos de tudo que temos hoje... 

Como se chama esse pesquisador?

David Noble. Escreveu alguns livros muito bons. Um deles é Forces of
Production. 
O que Noble descobriu é que, quando esses métodos e sistemas foram concebidos, havia uma ‘bifurcação’, uma escolha estratégica decisiva, a ser feita: se os novos métodos e sistemas seriam desenhados (i) para serem operados por maquinistas-operadores treinados e competentes, ou se, muito diferente disso, (ii) os novos métodos e sistemas seriam desenhados para serem controlados no plano da administração, da gestão. 

Escolheram a segunda via, apesar de não ser a mais lucrativa. Fizeram-se estudos que demonstraram que essa segunda via não geraria maiores lucros; mas, mais importante que o lucro, nesse caso, era manter os trabalhadores sob controle. Ninguém absolutamente tinha qualquer interesse em treinar operadores para administrar o processo industrial. Uma das razões, óbvia, é que, com operadores insubstituíveis, rapidamente surgiria a ideia – que nada tem de nova – de descartar os proprietários... que nada fazem e só atrapalham. Essa ideia assustadora levou, em boa parte, ao New Deal. 

As medidas do New Deal, nos EUA, surgiram, em boa parte, da evidência de que as greves já estavam assumindo feições de manifestações de cidadãos; os trabalhadores cruzavam os braços, ou famílias inteiras de trabalhadores desempregados sentavam-se na rua, à entrada das fábricas (ing. sit-ins e sit-downs) e, assim, ajudavam os grevistas. Grevistas de braços cruzados estão sempre a um passo de alguém dizer: “Por que estamos aqui fora, de braços cruzados? Vamos entrar lá e controlar essa fábrica.”

Desde o século 19 há muita literatura operária, hoje, também, vasta literatura operária sobre essas ideias. A revolução industrial nos EUA começou bem perto daqui. Os operários opuseram-se muito fortemente ao sistema industrial; diziam que o sistema industrial lhes roubaria a liberdade, a independência, todos os seus direitos como membros de uma república livre, que a revolução industrial estava destruindo a cultura operária. Diziam que o melhor a fazer era os próprios operários ocuparem as fábricas, os moinhos, e comandá-los eles mesmos.

Aqui mesmo nos EUA, no século 19, sem qualquer influência do marxismo ou de qualquer corrente de ideias europeias, já se sabia que o trabalho assalariado é uma escravidão – a única diferença, é que é escravidão temporária. Essa frase era tão conhecida e repetida, que foi um dos slogans do Partido Republicano. E foi a bandeira sob a qual os trabalhadores nortistas lutaram a Guerra Civil: que a escravidão assalariada era tão nefanda quanto a escravidão sem salário. Em resumo: tornou-se absolutamente necessário arrancar essas ideias da cabeça das pessoas.

Acho que essas ideias não estão enterradas muito fundo. Acho que podem voltar à tona a qualquer momento. Podem volta a tona, de fato, amanhã ou depois: Obama é praticamente proprietário da indústria automobilística, está fechando fábricas por todo o país, ao mesmo tempo em que seu governo não pára de assinar contratos com Espanha e França para construir trens de alta tecnologia, setor no qual os EUA estão muito atrasados – e usando dinheiro de incentivos federais para pagar as novas fábricas. Mais dia menos dia, os trabalhadores de Detroit dar-se-ão conta de que... “nós sabemos construir essas coisas. Vamos assumir o controle da fábrica, e fabricamos, nós mesmos”. Pode acontecer um renascimento operário-industrial aqui mesmo. Nada assusta mais os bancos e os gerentes administrativos, do que essa possibilidade.

Como é sua rotina de trabalho? Como consegue trabalhar tanto?

Minha mulher morreu há alguns anos e, desde então, só trabalho. Vejo meus filhos, vez ou outra, mas é só. Sempre trabalhei muito, mas, antes, ainda tinha alguma vida pessoal fora de casa. Agora, não mais. Só trabalho.

Quantas horas você dorme por noite?

Tento dormir, quando consigo, seis, sete horas por noite. Minha vida é completamente louca: muitas entrevistas, muitas conferências, muitas reuniões. Gostaria de ter mais tempo para trabalhar. Mas não tenho tempo livre... Nunca vou ao cinema, não como fora de casa. Não é vida saudável. Não recomendo a ninguém.


Noam Chomsky, entrevista a Michael Kasenbacher, New Left Project